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AOS 28…

Aos 28 eu percebi que as minhas conversas fluem muito mais com as amigas da minha mãe, que são mais ou menos da idade dela, do que com as minhas amigas, que são mais ou menos da minha idade.

Aos 28 declaro de uma vez por todas que música alta, baladas e rotina, não são “a minha coisa”. Eu prefiro tomar um café, ou um chá gelado e conversar sobre a robotização dos adolescentes e a falta de educação e maturidade emocional pra fazer escolhas nos dias de hoje, mas também curto assistir “o vestido ideal” no Discovery Home & Health, mesmo não gostando de casamentos.

Aos 28 eu ainda não entendo como é que as pessoas conseguem fazer uso de “balas e doces” pra ficarem “pilhadonas” durante o rolê. Eu já sou naturalmente pilhada de pijama, no meu quarto, tomando água e testando “rituais namastê” pra silenciar a mente.

Aproveitando o termo “pilhada”, aos 28 o cardiologista meio que me disse que é preciso ter paciência para respirar. Eu não tive paciência nem pra nascer (nasci de seis meses e meio), quanto menos para respirar.

Aos 28 eu percebi que todo mundo está tomando alguma coisa pra ficar bem. Uma Fluoxetina aqui, uma Sertralina ali, um ansiolítico e por aí vai. Até a minha mãe, que sempre considerei a pessoa mais equilibrada do mundo, toma um remedinho pra conseguir falar em público plenamente.

Aos 28 eu aceitei que avião, muita gente, entrevista de emprego e qualquer coisa que eu tenha que fazer sob pressão, só com um pretinho básico (Rivotril, no caso).

Aos 28 eu resolvi olhar para o medo da rejeição e dizer: ”oi, medo de não conseguir. Oi, medo de não ser aceita. Oi, medo de não ser boa o suficiente. Oi, medo de todos os “nãos” que possam existir… e aí, vamos superar e conviver pacificamente?”.

Aos 28 eu entendi que tudo bem eu acreditar que as coisas não precisam ser “oito ou oitenta”, desde que eu tenha a plena consciência de que ainda assim, é uma escolha – que por muitas vezes foi mais um discurso bonito do que uma ação bancada e praticada.

Aos 28 decidi que daqui pra frente quero praticar mais o hábito de abrir mão do que a minha psicóloga chama de “egoísmo emocional”, e entregar a minha planilha de sonhos e projetos com seus respectivos prazos e deixar que Ele continue a história. Quero que Ele me leve aonde Ele quer que eu vá. E seja lá onde e como for, sei que estarei bem.