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E QUANDO A GENTE NÃO SE ENCAIXA NO FORMATO PADRÃO?

Eu tenho 28 anos, peso 34 quilos e meço 1,34m, o que equivale a uma estatura bastante ”anormal” pra uma pessoa da minha idade. Por questões de saúde, eu tive um atraso no meu crescimento, portanto, o meu tamanho sempre destoou muito. Sofri um certo bullying, tive que conviver com perguntas do tipo: “ow, é verdade que você tem a idade tal?”. “Por que você é baixinha?”. “Você é anã? Não? Por que você não cresceu?”. Além de olhares e comentários…

Pra ser bem sincera, acho que passei a lidar com o fato de ser “diferente” dos demais fingindo uma autoaceitação (errei e reconheço), e vez ou outra eu me pegava revivendo mágoas e tentando reconfigurar certas situações na minha mente, como se o passado não estivesse passando de fato. Mas por incrível que pareça, a minha baixa estatura se tornou uma ferida aberta mesmo, na fase adulta, minutos antes de uma prova de seleção para uma vaga em uma certa empresa.

Como qualquer pessoa que queira passar o mínimo de credibilidade, cheguei alguns minutos antes do horário combinado. Quando a coordenadora deu o ar de sua graça chamando pelo meu nome, eu educadamente levantei e a cumprimentei com um sorriso de quem queria muito fazer parte daquela equipe. O fato é que ela me olhou de baixo a cima com um olhar desconfiado/espantado/achando que eu era uma piada pronta, e disparou: “mas é você quem vai concorrer a essa vaga?” Eu que achava que era bem resolvida, fiquei sem chão, não consegui me concentrar na prova e só tinha vontade de sumir daquele lugar o mais rápido possível… claro que fracassei miseravelmente no processo seletivo.

Na semana seguinte eu tinha outra prova/entrevista agendada em outra empresa. Meu coração parecia que ia saltar pela boca, suava frio, tremia, e as palavras que eu precisava utilizar pra causar boa impressão não saíam. Acabei desistindo da parada no meio da prova. Foi um dos maiores fiascos da minha vida.

Eu sempre fui muito ansiosa e hoje eu até consigo olhar pra trás e identificar certos comportamentos depressivos, mas a partir dessas duas entrevistas vivenciei uma jornada ladeira a baixo sem fim. Meu cérebro entendeu que eu tinha que compensar a minha baixa estatura com capacidade intelectual pra ser aceita, incluída.

Passei a me cobrar ainda mais e me autocondenar sem misericórdia. Toda vez que de alguma forma eu era testada, um pesadelo se instalava e mais ansiosa, desequilibrada e frustrada eu ficava. Até que eu mesma me convenci de que não tinha potencial e descontei tudo na comida.

Muitos podem pensar que isso tudo é melodrama ou coisa do tipo, mas a verdade é que vez ou outra a casca se quebra e a dor grita, invade, e eu sou humana, vulnerável (nós somos). Eu fiquei traumatizada nível hard com um olhar e algumas palavras, o que caracteriza uma enorme carência da minha parte, eu sei. Não anulo a minha fragilidade emocional e entendo que foi a gota d’água em um copo que já estava para transbordar. Eu queria muito ter autoestima suficiente pra falar: “eles perderam uma ótima profissional”, mas não é simples assim, e ter que fazer parte gera estranheza alheia, que gera cobrança, que gera ansiedade e insegurança, que geram fracasso, que gera rejeição.

A Luiza Junqueira do canal Tá Querida, criou um tipo de vídeo que viralizou no youtube, chamado “tour pelo meu corpo”. Em um mundo totalmente estereotipado, de corpos malhados, altos, magros e bronzeados, as pessoas que se sentem à vontade, expõem nesses vídeos suas “imperfeições”, manchas, gordurinhas, flacidez, cicatrizes, pelos, rugas e qualquer tipo de vulnerabilidade, com o intuito de mostrar que não existe apenas um formato e que ninguém tem o direito de rotular que o tal jeito é o melhor jeito.

O ponto onde quero chegar é que gordos, magros, altos, baixos, negros, brancos, heterossexuais, homossexuais, transexuais, cadeirantes, pessoas que usam prótese, aparelho respiratório, enfim… todos esses corpos estão por aí, existindo e ocupando um lugarzinho no mesmo mundo em que você vive. Cada um tem a sua história e cada um carrega ao longo da jornada suas lutas e marcas, que merecem no mínimo ser respeitadas. E se não for pedir muito, tenha um pouco de empatia e bom senso, porque o seu comentário maldoso, seu olhar desconfiado, seu riso sarcástico e seu rótulo preconceituoso, podem ser o motivo de vários traumas escondidos por trás de uma gargalhada e de um tudo bem.

Se você carrega um sentimento de “não pertencimento”, seja ele como e qual for, seja gentil com você mesmo e peça ajuda. Não menospreze a sua dor sorrindo quando quiser chorar e dizendo que está tudo bem quando não estiver.

Sim, faço terapia para aprender a enxergar o copo meio cheio.

RECALCULANDO A ROTA

Foram anos alimentando as mais diversas angústias e superando meus medos mais banais (não que isso tenha sido ruim), pra eu finalmente conseguir identificar meu “material genético de carências”. Meus limites também fazem parte do meu cartão de visita e fazer promessa de não comer chocolate por 30 dias, por exemplo, já está fora de cogitação e Deus há de me perdoar.

Estou aos pouquinhos fazendo as pazes com a minha sombra e dando as mãos aos meus medos e dores, e ser companheira deles consequentemente me torna companheira de mim como um todo. Tenho consciência de que não sou tudo aquilo que gostaria de ser (provavelmente nunca serei) e que esse meu “eu ideal” é um problema a ser superado na terapia.

Não sei se 2017 foi um ano bom ou ruim, mas tenho absoluta certeza de que não foi nada fácil. Eu comecei com tudo. Garra, dedicação, disciplina e muita vontade de vencer – do tipo: AGORA VAI! Bobinha eu que achava que o suprassumo da inteligência era viver na expectativa do agora ou nunca idealizado pela minha mente que mais parecia um trem desgovernado (e talvez ainda pareça). Outro problema a ser resolvido na terapia.

As frustrações e as alegrias vêm misturadas em um pacote e o grande valor da impermanência é que tudo passa. Eu não sei o que eu quero, mas acima de tudo eu sei o que eu não posso, pelo menos por ora. Ciclos se fecham, portas se abrem (ou não), e talvez eu queira fazer mais de outras coisas, pra depois, quem sabe, voltar a fazer as mesmas coisas, ou não… o porvir é mistério.

Sei lá, às vezes a gente precisa parar com tudo e sentir. Sem perguntas, sem respostas. Só sentir. Por mais que doa. Sentir é evoluir e evoluir não é indolor, mas é um sinal de vida, de que ainda está em tempo.

AOS 28…

Aos 28 eu percebi que as minhas conversas fluem muito mais com as amigas da minha mãe, que são mais ou menos da idade dela, do que com as minhas amigas, que são mais ou menos da minha idade.

Aos 28 declaro de uma vez por todas que música alta, baladas e rotina, não são “a minha coisa”. Eu prefiro tomar um café, ou um chá gelado e conversar sobre a robotização dos adolescentes e a falta de educação e maturidade emocional pra fazer escolhas nos dias de hoje, mas também curto assistir “o vestido ideal” no Discovery Home & Health, mesmo não gostando de casamentos.

Aos 28 eu ainda não entendo como é que as pessoas conseguem fazer uso de “balas e doces” pra ficarem “pilhadonas” durante o rolê. Eu já sou naturalmente pilhada de pijama, no meu quarto, tomando água e testando “rituais namastê” pra silenciar a mente.

Aproveitando o termo “pilhada”, aos 28 o cardiologista meio que me disse que é preciso ter paciência para respirar. Eu não tive paciência nem pra nascer (nasci de seis meses e meio), quanto menos para respirar.

Aos 28 eu percebi que todo mundo está tomando alguma coisa pra ficar bem. Uma Fluoxetina aqui, uma Sertralina ali, um ansiolítico e por aí vai. Até a minha mãe, que sempre considerei a pessoa mais equilibrada do mundo, toma um remedinho pra conseguir falar em público plenamente.

Aos 28 eu aceitei que avião, muita gente, entrevista de emprego e qualquer coisa que eu tenha que fazer sob pressão, só com um pretinho básico (Rivotril, no caso).

Aos 28 eu resolvi olhar para o medo da rejeição e dizer: ”oi, medo de não conseguir. Oi, medo de não ser aceita. Oi, medo de não ser boa o suficiente. Oi, medo de todos os “nãos” que possam existir… e aí, vamos superar e conviver pacificamente?”.

Aos 28 eu entendi que tudo bem eu acreditar que as coisas não precisam ser “oito ou oitenta”, desde que eu tenha a plena consciência de que ainda assim, é uma escolha – que por muitas vezes foi mais um discurso bonito do que uma ação bancada e praticada.

Aos 28 decidi que daqui pra frente quero praticar mais o hábito de abrir mão do que a minha psicóloga chama de “egoísmo emocional”, e entregar a minha planilha de sonhos e projetos com seus respectivos prazos e deixar que Ele continue a história. Quero que Ele me leve aonde Ele quer que eu vá. E seja lá onde e como for, sei que estarei bem.

 

OBRIGATORIEDADES DESNECESSÁRIAS

Certo dia a professora de inglês passou um determinado tema e pediu para que escrevêssemos um artigo. Tema esse, que na minha opinião não era tão complexo assim, pois eu tinha conhecimento a respeito e alguns bons tópicos e argumentos. Eu amo escrever, então dei meu sangue, meu coração, dois rins e um fígado. Quando ela entregou a redação com as devidas correções, me disse: “eu tiraria a metade do que você escreveu porque é desnecessário.” O queeeee? Um tapa na cara do meu ego besta!

Eu sei que soa melancólico, mas a verdade é que doeu ouvir “eu tiraria a metade porque é desnecessário”. Mas sabe aquela história de “vamos fazer do limão uma limonada”? Então… minha melancolia juntamente com a minha ansiedade me fizeram pensar nessa frase de uma maneira ampliada e realista.

Nós estamos inseridos em uma sociedade extremamente competitiva, portanto, alimentamos dia após dia a ideia de que para fazermos a diferença e alcançarmos o sucesso é preciso realizar coisas e ações grandiosas, incríveis, difíceis, desempenhar papéis impactantes e de preferência sob pressão.

O fato é que muitas vezes deixamos de fazer o que realmente é bom porque estamos focados no que é ideal. Nessa tentativa incessante de atirar sempre na perfeição, acabamos acertando o fracasso, pois nos perdemos nas nossas próprias ideias, e com isso formamos um combo chamado desespero, que nos faz andar em círculos incapazes de nos levar além.

Isso também não significa que devemos ficar na zona de conforto, mas talvez um dos maiores desafios seja enxergar no que é trivial a oportunidade de adquirir conhecimento, experiência, gerar discussões e promover transformações gradativas e bem sucedidas. Para entregar ao mundo o nosso melhor, nem sempre precisamos de cenários bem elaborados, da melhor maquiagem, de palavras difíceis e do domínio de assuntos complexos.

Depois um “auto tête-à-tête”, percebi que nem sempre o nosso senso crítico nos garante que estamos arrasando e por isso é fundamental fazer uma faxina intelectual e nos perguntar o que podemos eliminar da nossa vida, ou pelo menos reduzir, pois só está causando confusão, complexidade, dor e sofrimento desnecessários. Talvez a resposta dessa pergunta seja a grande sacada… e essa é a minha busca.

PEÇA AJUDA

Acordo. Tomo café, mas o pão ~sem glúten porque sou intolerante~ não desce. Tenho que estudar. Daqui quatro horas tenho que estar no trabalho, então antes de estudar vou revisar os conteúdos das aulas que tenho que dar. Tomo mais uma xícara de café. O livro… ainda não li. O aniversário de hoje à noite… vai ter gente e tenho aula antes e acho que não consigo ir trabalhar. O que estou fazendo agora, afinal? Ainda são nove horas. Não quero ler, não preciso revisar as aulas. Alguém está me ligando, mas tenho que estudar e não posso me desconcentrar. O que estou estudando mesmo? O aniversário…

Por que estou tremendo? Vou trabalhar e estou me sentindo melhor. Quero chorar. Já são nove horas e 10 minutos e eu tenho que respirar fundo e ver gente e atender o celular e ler e revisar os conteúdos e estar bem e esperar e ir e… não vou fazer nada disso porque estou ocupada. Estou ocupada sentindo culpa.

“Por que eu não consigo fazer absolutamente nada? É só fazer…”

Você tem medo e insegurança. Não para de pensar e de se cobrar, pois não se sente a altura do que queria ser, e olha ao redor e vê que todo mundo consegue, menos você. Isso é sufocante, eu sei. E sei também que é muito cansativo ter que pertencer ao universo das pessoas proativas, eficientes, criativas, incrivelmente bem resolvidas e “normais” (elas existem?). É um cansaço que não se desmancha ao dormir e parece que a sua existência se resume em um imenso vazio. Sua mente te fala o tempo todo que você está pra trás. Do que? De quem? E você vai meio entorpecido sem conseguir conduzir absolutamente nada, só no piloto automático.

É difícil explicar para o mundo o porquê de não estar conseguindo fazer nem o mínimo do que ele espera de você. Você não consegue fazer nem o mínimo do que você mesmo espera de si, quanto menos o mundo… e na maioria das vezes o mundo não está tão interessado assim em entender.

Eu aprendi que não existe uma dor que dói mais que a outra. A dor que dói é a SUA DOR, seja ela física ou psicológica. As pessoas caem, mas também se levantam e você precisa querer levantar. Não tenha vergonha das suas fraquezas emocionais e PEÇA AJUDA! Não desista de você, assim como eu não estou desistindo de mim. Nós somos muito importantes para nós mesmos acima de tudo.

NÃO É MIMIMI

É uma angústia incessante que aperta e dói no coração, os sentimentos acabam não se transformando em palavras e travam no meio da garganta, os pensamentos acelerados e descontrolados me fazem ficar em estado de alerta com inúmeros pontos de interrogação, e mensagens sabotadoras me visitam a todo instante. Por fim, as crises… meu corpo treme, as extremidades ficam dormentes e geladas, respiração ofegante, coração acelerado e um desespero sem fim. Medo do mundo, da vida, medo de mim mesma.

A ansiedade sempre foi minha “parceira” na vida. Sempre me cobrei muito e até sofri por coisas que sequer vivi de fato, pois só aconteceram na minha cabeça… mas sempre respirei, fui e fiz! A ansiedade que sinto agora me bloqueia e me deprime. Fui perdendo o prazer de fazer as coisas que sempre fiz com carinho, dedicação e vontade de vencer. Comecei a me sentir a pior pessoa do mundo, incapaz, impotente, inútil, inferior e um peso pra mim e para os que convivem comigo, por isso comecei a me isolar. Desapareci das redes sociais e desativei as notificações do Whatsapp. Eu só queria correr. Assim como qualquer pessoa, eu já tive motivos reais para desabar. Perdas, decepções… por mais que eu sofresse, sempre conseguia encontrar algo que me reerguesse.

Comecei o ano feliz e sentindo que estava fazendo as coisas certas na hora certa, mas aos poucos tudo ficava confuso e sem sentido. Abandonei as séries e os documentários, e os livros começados e não finalizados por conta da minha falta de concentração me causavam aflição. Muitas das coisas incríveis que planejei viver e fazer foram consumidas por uma sombra. Perdi oportunidades, deixei os estudos de lado, vi vários projetos pessoais serem engavetados e sonhos desmoronados. Vestia uma máscara e ia trabalhar porque tinha que trabalhar, e quando chegava em casa, deitava na cama e falava: “ufa, menos um dia!” e chorava. Isso me confortava. Até que chegou um momento que nem trabalhar eu conseguia mais.

Tiveram dois casos de suicídio relativamente próximos a mim e isso não me abalou. Eu entendi que essa era a única solução para colocar um ponto final na dor que aquelas pessoas sentiam. Nunca planejei acabar com a minha vida, mas eu já pensei várias vezes em como tudo seria bem melhor sem mim.

Nunca me senti tão vulnerável quanto agora e talvez essa tenha sido a maneira que Deus encontrou de tocar fundo no meu coração de uma vez por todas, pois eu me rendi quando me vi sem forças, e tenho sentido claramente Sua presença através de pequenos e grandes sinais. Sou muito grata à minha família e amigos que não medem esforços para me amparar com mensagens, abraços, conversas e até guloseimas. OBRIGADA!

Apesar do medo e da falta de perspectiva ainda me assombrarem, hoje estou medicada e melhor. Consigo colocar a cabeça no travesseiro e dizer: “ufa, eu venci mais uma vez!” Sinto que estou subindo, bem devagar para não cair, porque eu não quero cair e eu não vou cair!

TATUEI…

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Viajar se tornou a maior oportunidade da minha vida nos últimos anos. Encontrei outras paisagens, outras culturas, outros gostos, outros costumes, outras vidas e outros mundos. Viajo frequentemente no tempo e nas experiências que vivi, e essas experiências se tornaram guias que me encorajam e me fazem ir, permitindo que minha mente, minha alma e meu coração pulsem em ritmos acelerados e em completa sintonia.

A meu ver, o avião é a materialização do real significado das palavras liberdade, impulso e direção. Liberdade dos conceitos e pré-conceitos, liberdade para vivenciar algo incrivelmente exótico, mas que para um outro alguém em algum lugar, pode ser totalmente trivial. O avião me proporcionou o impulso e a coragem de enfrentar a maior e mais desafiadora fronteira da minha vida: O MEU MEDO de sair da zona de conforto, de tentar, de cair, de recomeçar e de aprender. Encontro em cada embarque uma direção, cuja trajetória pode apresentar algumas turbulências, mas uma vez que eu decido decolar, não posso simplesmente desistir do voo ao me deparar com uma tempestade, preciso encontrar o equilíbrio e seguir em frente.

O avião transforma todas as minhas imaginações em grandes descobertas, pois me transporta fisicamente para os meus maiores sonhos… Me faz pisar em solo e enxergar tudo com os meus próprios olhos. Durante muito tempo eu tive um medo absurdo de avião (e ainda tenho haha), mas o medo que sentia quando criança me fazia chorar de desespero até mesmo por causa de um avião de brinquedo que ganhei do meu pai… Ironia da vida, pois hoje, os embarques e os desembarques desbancam e atenuam todas as minhas inseguranças.

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Toda vez que olho para a minha tatuagem, lembro-me de me conectar com todos os meus sonhos e por mais que eu tenha consciência da impermanência das coisas, não devo jamais me auto-sabotar e subestimar a minha capacidade de viver com a mente desperta para criar e recriar a minha realidade. Quero apreciar tudo minuciosamente, aqui, e lá do outro lado do mundo, mesmo que um pouco desse “tudo” seja adversidade, que com certeza me transforma em um novo ser, capaz de agarrar a vida com força, pois querer é o bastante para tentar, tentar, tentar e tentar, incessantemente.

Quero sair da zona de conforto, conhecer o mundo, os diversos mundos e o meu próprio mundo. Com céu de brigadeiro ou com turbulências, quero antes de mais nada acreditar de verdade que eu mereço a realização de todos os meus sonhos, até mesmo daqueles mais mirabolantes… E então abraçá-los fortemente e dizer: Sejam muito bem-vindos a essa viagem e espero que ela tenha tudo a ver com o que eu realmente busco.

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 “AS ASAS DA ALMA SE CHAMAM CORAGEM. CORAGEM NÃO É A AUSÊNCIA DO MEDO. É LANÇAR-SE, A DESPEITO DO MEDO.”

10 LIÇÕES E ALGUNS DESTINOS

Dias atrás eu estava tentando listar mentalmente, alguns legados que passei a carregar comigo depois de visitar certos lugares e viver experiências culturais. Resolvi então reunir todos esses pensamentos em um texto, pois assim eu consigo sistematizar minhas ideias. Vamos começar?

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1 – Acho que o primeiro grande aprendizado que tirei de uma viagem, foi durante um cruzeiro que fiz em Janeiro de 2011, cujo roteiro incluía visitar Buenos Aires e Punta Del Este. Essa foi a primeira vez que viajei para fora do país e além de conhecer lugares, pude também conhecer diversas culturas, pois os tripulantes vinham de todas as partes do mundo e falavam qualquer idioma, menos Português. Foi durante essa viagem que eu percebi que existia um mundo gigante fora da minha bolha e que não seria uma má ideia começar a explorá-lo aos pouquinhos.

2 –  Em Boston eu entendi a importância das coisas mais simples da vida. O café da tarde na casa dos meus avós. O almoço de domingo em família. As conversas com os amigos. A presença física dos meus pais em todos os momentos, mas principalmente nas horas de aperto. Um abraço acolhedor e uma mão para segurar quando a estrada estivesse escorregadia… Sempre me considerei uma pessoa independente sentimentalmente falando, mas foi longe disso tudo, que me descobri muito mais apegada do que pensava.

3 –  Em Nova York eu aprendi que tudo bem se os meus planos iniciais tomarem rumos diferentes ao longo do tempo. Não tem como planejar minuciosamente o futuro, me privar de correr riscos e não me deparar com o inusitado em alguns momentos. Foi justamente o inusitado que me fez enxergar tudo a minha volta com olhos curiosos e dispostos a seguir em frente sem muito medo do mundo. Sem medo de sonhar alto.

4 – Ainda em Nova York, eu aprendi que pode ser que os meus sonhos me levem para longe das pessoas que mais amo na vida, porém, não existe distância para a  veracidade dos sentimentos que nos unem. O meu porto seguro sempre estará no meu coração.

5 – Londres me ensinou que quem converte é prevenido e pode se divertir muito! Viajar através dos meus próprios recursos, administrar os meus gastos respeitando a minha realidade e ao mesmo tempo viver experiências e conhecer lugares de tirar o fôlego, me fez entender que não existe limite para realizar sonhos.

6 – O meu único dia em Oxford me fez reconhecer que enfrentar os perrengues com uma galera torna a viagem ainda mais especial. A tempestade que enfrentamos na fila de entrada para o Christ Church University (um dos colleges da Universidade de Oxford), leva o título de um dos momentos mais bizarros de toda a viagem. Essa se tornou uma história muito nossa e somente nós conseguimos chorar de tanto rir do nosso desespero.

7 –  Eu aprendi muitas coisas  relacionadas aos aspectos culturais presentes no dia a dia da capital francesa, inclusive compilei todos esses aprendizados em um post – clique aqui para conferir. No geral, eu aprendi com os parisienses que não é obrigatório, porém simpático por parte dos turistas, ter na ponta da língua pelo menos o básico do vocabulário local e aplicá-lo vez ou outra em conversas aleatórias com os nativos.

8 – Em Amsterdam, a tolerância em questões como drogas, sexo, religião e liberdades individuais quebra tabus, fazendo com que assuntos de relevância social se integrem naturalmente à cultura da capital holandesa. Sendo assim, aprendi que a evolução humana na prática, é a capacidade que temos de conviver com as infinitas verdades de maneira flexível e cristalina.

9 – Em Toronto eu percebi que sozinha ou em grupo, tanto faz, contanto que eu viaje e viva experiências longe da minha zona de conforto. Eu tive muita convicção do meu desejo incontrolável de ir – para qualquer lugar, mas ir, explorar, experimentar, ver com os meus próprios olhos, aprender e viver.

10 – Por fim, reservo este espaço para todas as experiências que ainda não tive, todos os lugares que ainda não visitei, todas as pessoas que ainda não encontrei e todas as lições que ainda não aprendi. E que isso seja apenas uma questão de tempo…

“INCOMODOU, DOEU? LEVA PARA CASA QUE É TEU!”

“INCOMODOU, DOEU? LEVA PARA CASA QUE É TEU.” – Ouvi essa frase pela primeira vez em um vídeo que assisti casualmente há uns meses no canal da Flávia Melissa. Flávia é Psicóloga, pós-graduada em Acupuntura e em 2010, se mudou para Xangai e mergulhou nos ensinamentos da encantadora Medicina Chinesa. Atualmente produz e compartilha conteúdo motivacional online sobre desenvolvimento humano. Saiba mais em www.flaviamelissa.com.br

Engraçado que essa frase não me fez muito sentido a princípio e eu só consegui entender a essência dela, durante as sessões de CoachIng que tive com a Carol Herr, do canal Cajuína e Frevo. Após uma fase de desequilíbrio emocional, percebi que precisava de ajuda para tentar reorganizar os meus pensamentos e a Carol foi fundamental nesse processo de busca e cura pessoal e emocional.

Quando assumimos essa busca por nós mesmos, entramos em contato com fraquezas que por algum motivo foram cultivadas ao longo da nossa vida. Essas fraquezas apenas foram deixadas no modo silencioso em algum cantinho da nossa existência, entretanto, nunca foram superadas de fato e então, nossos ouvidos se tornam cristais frágeis.

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Muitas vezes temos o nosso interior fragmentado e acabamos projetando nas outras pessoas os nossos próprios conflitos pessoais. Insistimos em olhar sempre para fora e de maneira superficial, ao invés de olhar para dentro de nós mesmos. Toda situação que nos desperta algum tipo de sentimento amargo, como frustração, raiva, angústia, entre outros, é porque provavelmente nos deparamos com as nossas fragilidades. E então, nos colocamos na posição de vítima e passamos a enxergar os indivíduos envolvidos, como verdadeiros responsáveis pelas nossas dores.

Hoje eu entendo que muitas das minhas frustrações aconteceram porque na realidade, eu projetei em atitudes de pessoas aleatórias, as minhas próprias inseguranças – que nem eu sabia que ainda existiam. Se eu estivesse em harmonia comigo mesma, a carapuça não teria servido, afinal, o que as outras pessoas pensam sobre mim em diferentes aspectos, é um problema delas e não meu.

Se determinada situação causou algum tipo de incômodo, é porque algo em nós não está em equilíbrio. Eu entendo perfeitamente que os sentimentos não se curvam ao racional, mas é muito importante recuperar o mínimo da nossa consciência perguntando a nós mesmos: “por que eu estou agindo dessa forma?” Descobrir qual é a nossa parcela de responsabilidade nesse incômodo/sofrimento, é esclarecedor.

Soa até um pouco egoísta e individualista, mas a verdade é que na maioria das vezes, as pessoas sequer sabem do nosso caos interior. No dia a dia ninguém está tão interessado assim nos nossos pormenores, portanto, não podemos nos tornar tão vulneráveis, tão facilmente atingíveis e permitir que atitudes, palavras e até mesmo olhares totalmente aleatórios, destruam a nossa autoestima e a nossa paz interior.

Esse processo de busca e desenvolvimento pessoal requer uma visita minuciosa ao nosso passado, com o intuito de reconhecer nossas fragilidades e lidar diretamente com certos questionamentos camuflados e adormecidos. E isso dói. Mas eu aprendi que a dor nem sempre vem para maltratar, muitas vezes ela vem para libertar. O autoconhecimento resgata a nossa serenidade e nos possibilita encarar a vida de uma maneira mais clean, mais leve.

“QUAL A SUA PRINCIPAL META NA VIDA?”

Estava assistindo ao último vídeo da Carol do canal Cajuína e Frevo (sigam essa mulher, ela é incrível) e me senti inspirada a escrever sobre algo que uma pessoa me perguntou alguns dias atrás. “QUAL A SUA PRINCIPAL META NA VIDA?”

Quando me deparei com essa pergunta, lembrei da música Pretty Hurts da Beyoncé e o quanto ela se questionou ao responder a pergunta: “What’s your aspiration in life?” O clipe é maravilhoso e tem todo um contexto e uma mensagem a ser refletida. (clique aqui caso queira assistir). O fato é que o meu mundo caiu quando me vi na obrigação de responder em 3,2,1 qual era a minha maior meta na vida. Eu estava toda confusa, porém me sentindo a Beyoncé – Diva – e isso é o que importa, não é mesmo? Haha.

A Carol do canal Cajuína e Frevo começou o vídeo falando que a meta dela para 2016 é continuar sendo uma pessoa “sem metas” – no sentido de não ter a necessidade de colocar tudo em planilhas e estipular prazos, mas simplesmente seguir o coração e a intuição. Quando ouvi isso, tive vontade de mandar um áudio no WhatsApp dela (como se eu fosse íntima a esse ponto), dizendo: “Amigaaaa, também sou dessas!”

Devaneios à parte… Eu já fui sim o tipo de pessoa que gostava de tudo na planilha, com prazos e tudo mais, entretanto, não conquistei absolutamente nada daquilo que me sentia na obrigação de conquistar. Sabe por quê? Simplesmente porque quando nos obrigamos a seguir um determinado caminho, fechamos a nossa mente para as outras possíveis oportunidades em outras direções.

Aprendi a estabelecer metas e ao mesmo tempo me permitir sair da rotina. Meus objetivos são moldados de acordo com a minha realidade atual, considerando todas as possíveis mudanças… Não quero que ninguém me interprete mal e acabe pensando que isso me torna uma pessoa sem foco, muito pelo contrário… Me sinto livre para experimentar diferentes sensações. Este é o meu ponto de vista e se você concorda comigo ou não, VOCÊ DECIDE!

Pois bem, no momento em que a pessoa me perguntou sobre minha principal meta, pensei por alguns segundos e na hora lembrei da resposta que a mãe de Elizabeth Gilbert do livro/filme Eat, Pray and Love, para a seguinte pergunta: “Mom, when did you accept the life you have? (Mãe, quando você aceitou a vida que você tem?) “OH DEAR, I’M ALWAYS LOOKING FOR SOMENTHING…” (OH QUERIDA, EU ESTOU SEMPRE PROCURANDO POR ALGO…)

Foi exatamente essa a resposta que eu dei. Lembrei de uma música aqui, um filme ali e finalmente encontrei argumentos que fossem capazes de sustentar o meu raciocínio. Não sei se foi a resposta que a pessoa esperava ouvir, mas juro que fui o mais sincera possível, afinal, fingir ser algo que não sou é bem pior, certo? CERTO!

Eu já me reconstruí várias vezes e a primeira vez que percebi que isso aconteceu, foi durante meu primeiro intercâmbio e logo em seguida, com a morte do meu avô em 2012. Percebi que essa reconstrução aconteceu de maneira totalmente pessoal, pois durante o intercâmbio pude me autoconhecer, superei vários obstáculos e já no Brasil, depois de perder meu avô, tive que tirar forças de onde nunca achei que tivesse para lidar com a presença da ausência.

Depois tive que me reconstruir profissionalmente, afinal, sou uma Farmacêutica não atuante que um dia sonhou em fazer mestrado e doutorado em Química Farmacêutica na Harvard. (ACREDITEM!) Atualmente dou aulas de inglês, amo viajar pelo mundo e estar em contato com culturas diferentes, e ainda brinco de ser blogueira escrevendo sobre viagens, pensamentos e sentimentos aleatórios.

Acima de tudo eu estou sempre tentando ser o melhor possível, pessoalmente, profissionalmente, espiritualmente, a fim de sair da minha zona de conforto e aprender algo novo em todos os aspectos.  Meu coração, mente e alma estão totalmente abertos para novas possíveis reconstruções e assim, vou sonhando e estabelecendo as minhas metas conforme o meu momento presente, tentando transmitir o meu melhor a mim mesma e aos que me cercam.

Não precisamos obrigatoriamente seguir protocolos, acho que o mais importante é tentar fazer coisas e descobrir o que nos traz felicidade nas diferentes fases da vida. Qualquer esforço é melhor do que nenhum esforço. ACREDITA E VAI!

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