RECALCULANDO A ROTA

Foram anos alimentando as mais diversas angústias e superando meus medos mais banais (não que isso tenha sido ruim), pra eu finalmente conseguir identificar meu “material genético de carências”. Meus limites também fazem parte do meu cartão de visita e fazer promessa de não comer chocolate por 30 dias, por exemplo, já está fora de cogitação e Deus há de me perdoar.

Estou aos pouquinhos fazendo as pazes com a minha sombra e dando as mãos aos meus medos e dores, e ser companheira deles consequentemente me torna companheira de mim como um todo. Tenho consciência de que não sou tudo aquilo que gostaria de ser (provavelmente nunca serei) e que esse meu “eu ideal” é um problema a ser superado na terapia.

Não sei se 2017 foi um ano bom ou ruim, mas tenho absoluta certeza de que não foi nada fácil. Eu comecei com tudo. Garra, dedicação, disciplina e muita vontade de vencer – do tipo: AGORA VAI! Bobinha eu que achava que o suprassumo da inteligência era viver na expectativa do agora ou nunca idealizado pela minha mente que mais parecia um trem desgovernado (e talvez ainda pareça). Outro problema a ser resolvido na terapia.

As frustrações e as alegrias vêm misturadas em um pacote e o grande valor da impermanência é que tudo passa. Eu não sei o que eu quero, mas acima de tudo eu sei o que eu não posso, pelo menos por ora. Ciclos se fecham, portas se abrem (ou não), e talvez eu queira fazer mais de outras coisas, pra depois, quem sabe, voltar a fazer as mesmas coisas, ou não… o porvir é mistério.

Sei lá, às vezes a gente precisa parar com tudo e sentir. Sem perguntas, sem respostas. Só sentir. Por mais que doa. Sentir é evoluir e evoluir não é indolor, mas é um sinal de vida, de que ainda está em tempo.

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