OBRIGATORIEDADES DESNECESSÁRIAS

Certo dia a professora de inglês passou um determinado tema e pediu para que escrevêssemos um artigo. Tema esse, que na minha opinião não era tão complexo assim, pois eu tinha conhecimento a respeito e alguns bons tópicos e argumentos. Eu amo escrever, então dei meu sangue, meu coração, dois rins e um fígado. Quando ela entregou a redação com as devidas correções, me disse: “eu tiraria a metade do que você escreveu porque é desnecessário.” O queeeee? Um tapa na cara do meu ego besta!

Eu sei que soa melancólico, mas a verdade é que doeu ouvir “eu tiraria a metade porque é desnecessário”. Mas sabe aquela história de “vamos fazer do limão uma limonada”? Então… minha melancolia juntamente com a minha ansiedade me fizeram pensar nessa frase de uma maneira ampliada e realista.

Nós estamos inseridos em uma sociedade extremamente competitiva, portanto, alimentamos dia após dia a ideia de que para fazermos a diferença e alcançarmos o sucesso é preciso realizar coisas e ações grandiosas, incríveis, difíceis, desempenhar papéis impactantes e de preferência sob pressão.

O fato é que muitas vezes deixamos de fazer o que realmente é bom porque estamos focados no que é ideal. Nessa tentativa incessante de atirar sempre na perfeição, acabamos acertando o fracasso, pois nos perdemos nas nossas próprias ideias, e com isso formamos um combo chamado desespero, que nos faz andar em círculos incapazes de nos levar além.

Isso também não significa que devemos ficar na zona de conforto, mas talvez um dos maiores desafios seja enxergar no que é trivial a oportunidade de adquirir conhecimento, experiência, gerar discussões e promover transformações gradativas e bem sucedidas. Para entregar ao mundo o nosso melhor, nem sempre precisamos de cenários bem elaborados, da melhor maquiagem, de palavras difíceis e do domínio de assuntos complexos.

Depois um “auto tête-à-tête”, percebi que nem sempre o nosso senso crítico nos garante que estamos arrasando e por isso é fundamental fazer uma faxina intelectual e nos perguntar o que podemos eliminar da nossa vida, ou pelo menos reduzir, pois só está causando confusão, complexidade, dor e sofrimento desnecessários. Talvez a resposta dessa pergunta seja a grande sacada… e essa é a minha busca.