NÃO É MIMIMI

É uma angústia incessante que aperta e dói no coração, os sentimentos acabam não se transformando em palavras e travam no meio da garganta, os pensamentos acelerados e descontrolados me fazem ficar em estado de alerta com inúmeros pontos de interrogação, e mensagens sabotadoras me visitam a todo instante. Por fim, as crises… meu corpo treme, as extremidades ficam dormentes e geladas, respiração ofegante, coração acelerado e um desespero sem fim. Medo do mundo, da vida, medo de mim mesma.

A ansiedade sempre foi minha “parceira” na vida. Sempre me cobrei muito e até sofri por coisas que sequer vivi de fato, pois só aconteceram na minha cabeça… mas sempre respirei, fui e fiz! A ansiedade que sinto agora me bloqueia e me deprime. Fui perdendo o prazer de fazer as coisas que sempre fiz com carinho, dedicação e vontade de vencer. Comecei a me sentir a pior pessoa do mundo, incapaz, impotente, inútil, inferior e um peso pra mim e para os que convivem comigo, por isso comecei a me isolar. Desapareci das redes sociais e desativei as notificações do Whatsapp. Eu só queria correr. Assim como qualquer pessoa, eu já tive motivos reais para desabar. Perdas, decepções… por mais que eu sofresse, sempre conseguia encontrar algo que me reerguesse.

Comecei o ano feliz e sentindo que estava fazendo as coisas certas na hora certa, mas aos poucos tudo ficava confuso e sem sentido. Abandonei as séries e os documentários, e os livros começados e não finalizados por conta da minha falta de concentração me causavam aflição. Muitas das coisas incríveis que planejei viver e fazer foram consumidas por uma sombra. Perdi oportunidades, deixei os estudos de lado, vi vários projetos pessoais serem engavetados e sonhos desmoronados. Vestia uma máscara e ia trabalhar porque tinha que trabalhar, e quando chegava em casa, deitava na cama e falava: “ufa, menos um dia!” e chorava. Isso me confortava. Até que chegou um momento que nem trabalhar eu conseguia mais.

Tiveram dois casos de suicídio relativamente próximos a mim e isso não me abalou. Eu entendi que essa era a única solução para colocar um ponto final na dor que aquelas pessoas sentiam. Nunca planejei acabar com a minha vida, mas eu já pensei várias vezes em como tudo seria bem melhor sem mim.

Nunca me senti tão vulnerável quanto agora e talvez essa tenha sido a maneira que Deus encontrou de tocar fundo no meu coração de uma vez por todas, pois eu me rendi quando me vi sem forças, e tenho sentido claramente Sua presença através de pequenos e grandes sinais. Sou muito grata à minha família e amigos que não medem esforços para me amparar com mensagens, abraços, conversas e até guloseimas. OBRIGADA!

Apesar do medo e da falta de perspectiva ainda me assombrarem, hoje estou medicada e melhor. Consigo colocar a cabeça no travesseiro e dizer: “ufa, eu venci mais uma vez!” Sinto que estou subindo, bem devagar para não cair, porque eu não quero cair e eu não vou cair!