OBRIGATORIEDADES DESNECESSÁRIAS

Certo dia a professora de inglês passou um determinado tema e pediu para que escrevêssemos um artigo. Tema esse, que na minha opinião não era tão complexo assim, pois eu tinha conhecimento a respeito e alguns bons tópicos e argumentos. Eu amo escrever, então dei meu sangue, meu coração, dois rins e um fígado. Quando ela entregou a redação com as devidas correções, me disse: “eu tiraria a metade do que você escreveu porque é desnecessário.” O queeeee? Um tapa na cara do meu ego besta!

Eu sei que soa melancólico, mas a verdade é que doeu ouvir “eu tiraria a metade porque é desnecessário”. Mas sabe aquela história de “vamos fazer do limão uma limonada”? Então… minha melancolia juntamente com a minha ansiedade me fizeram pensar nessa frase de uma maneira ampliada e realista.

Nós estamos inseridos em uma sociedade extremamente competitiva, portanto, alimentamos dia após dia a ideia de que para fazermos a diferença e alcançarmos o sucesso é preciso realizar coisas e ações grandiosas, incríveis, difíceis, desempenhar papéis impactantes e de preferência sob pressão.

O fato é que muitas vezes deixamos de fazer o que realmente é bom porque estamos focados no que é ideal. Nessa tentativa incessante de atirar sempre na perfeição, acabamos acertando o fracasso, pois nos perdemos nas nossas próprias ideias, e com isso formamos um combo chamado desespero, que nos faz andar em círculos incapazes de nos levar além.

Isso também não significa que devemos ficar na zona de conforto, mas talvez um dos maiores desafios seja enxergar no que é trivial a oportunidade de adquirir conhecimento, experiência, gerar discussões e promover transformações gradativas e bem sucedidas. Para entregar ao mundo o nosso melhor, nem sempre precisamos de cenários bem elaborados, da melhor maquiagem, de palavras difíceis e do domínio de assuntos complexos.

Depois um “auto tête-à-tête”, percebi que nem sempre o nosso senso crítico nos garante que estamos arrasando e por isso é fundamental fazer uma faxina intelectual e nos perguntar o que podemos eliminar da nossa vida, ou pelo menos reduzir, pois só está causando confusão, complexidade, dor e sofrimento desnecessários. Talvez a resposta dessa pergunta seja a grande sacada… e essa é a minha busca.

PEÇA AJUDA

Acordo. Tomo café, mas o pão ~sem glúten porque sou intolerante~ não desce. Tenho que estudar. Daqui quatro horas tenho que estar no trabalho, então antes de estudar vou revisar os conteúdos das aulas que tenho que dar. Tomo mais uma xícara de café. O livro… ainda não li. O aniversário de hoje à noite… vai ter gente e tenho aula antes e acho que não consigo ir trabalhar. O que estou fazendo agora, afinal? Ainda são nove horas. Não quero ler, não preciso revisar as aulas. Alguém está me ligando, mas tenho que estudar e não posso me desconcentrar. O que estou estudando mesmo? O aniversário…

Por que estou tremendo? Vou trabalhar e estou me sentindo melhor. Quero chorar. Já são nove horas e 10 minutos e eu tenho que respirar fundo e ver gente e atender o celular e ler e revisar os conteúdos e estar bem e esperar e ir e… não vou fazer nada disso porque estou ocupada. Estou ocupada sentindo culpa.

“Por que eu não consigo fazer absolutamente nada? É só fazer…”

Você tem medo e insegurança. Não para de pensar e de se cobrar, pois não se sente a altura do que queria ser, e olha ao redor e vê que todo mundo consegue, menos você. Isso é sufocante, eu sei. E sei também que é muito cansativo ter que pertencer ao universo das pessoas proativas, eficientes, criativas, incrivelmente bem resolvidas e “normais” (elas existem?). É um cansaço que não se desmancha ao dormir e parece que a sua existência se resume em um imenso vazio. Sua mente te fala o tempo todo que você está pra trás. Do que? De quem? E você vai meio entorpecido sem conseguir conduzir absolutamente nada, só no piloto automático.

É difícil explicar para o mundo o porquê de não estar conseguindo fazer nem o mínimo do que ele espera de você. Você não consegue fazer nem o mínimo do que você mesmo espera de si, quanto menos o mundo… e na maioria das vezes o mundo não está tão interessado assim em entender.

Eu aprendi que não existe uma dor que dói mais que a outra. A dor que dói é a SUA DOR, seja ela física ou psicológica. As pessoas caem, mas também se levantam e você precisa querer levantar. Não tenha vergonha das suas fraquezas emocionais e PEÇA AJUDA! Não desista de você, assim como eu não estou desistindo de mim. Nós somos muito importantes para nós mesmos acima de tudo.

NÃO É MIMIMI

É uma angústia incessante que aperta e dói no coração, os sentimentos acabam não se transformando em palavras e travam no meio da garganta, os pensamentos acelerados e descontrolados me fazem ficar em estado de alerta com inúmeros pontos de interrogação, e mensagens sabotadoras me visitam a todo instante. Por fim, as crises… meu corpo treme, as extremidades ficam dormentes e geladas, respiração ofegante, coração acelerado e um desespero sem fim. Medo do mundo, da vida, medo de mim mesma.

A ansiedade sempre foi minha “parceira” na vida. Sempre me cobrei muito e até sofri por coisas que sequer vivi de fato, pois só aconteceram na minha cabeça… mas sempre respirei, fui e fiz! A ansiedade que sinto agora me bloqueia e me deprime. Fui perdendo o prazer de fazer as coisas que sempre fiz com carinho, dedicação e vontade de vencer. Comecei a me sentir a pior pessoa do mundo, incapaz, impotente, inútil, inferior e um peso pra mim e para os que convivem comigo, por isso comecei a me isolar. Desapareci das redes sociais e desativei as notificações do Whatsapp. Eu só queria correr. Assim como qualquer pessoa, eu já tive motivos reais para desabar. Perdas, decepções… por mais que eu sofresse, sempre conseguia encontrar algo que me reerguesse.

Comecei o ano feliz e sentindo que estava fazendo as coisas certas na hora certa, mas aos poucos tudo ficava confuso e sem sentido. Abandonei as séries e os documentários, e os livros começados e não finalizados por conta da minha falta de concentração me causavam aflição. Muitas das coisas incríveis que planejei viver e fazer foram consumidas por uma sombra. Perdi oportunidades, deixei os estudos de lado, vi vários projetos pessoais serem engavetados e sonhos desmoronados. Vestia uma máscara e ia trabalhar porque tinha que trabalhar, e quando chegava em casa, deitava na cama e falava: “ufa, menos um dia!” e chorava. Isso me confortava. Até que chegou um momento que nem trabalhar eu conseguia mais.

Tiveram dois casos de suicídio relativamente próximos a mim e isso não me abalou. Eu entendi que essa era a única solução para colocar um ponto final na dor que aquelas pessoas sentiam. Nunca planejei acabar com a minha vida, mas eu já pensei várias vezes em como tudo seria bem melhor sem mim.

Nunca me senti tão vulnerável quanto agora e talvez essa tenha sido a maneira que Deus encontrou de tocar fundo no meu coração de uma vez por todas, pois eu me rendi quando me vi sem forças, e tenho sentido claramente Sua presença através de pequenos e grandes sinais. Sou muito grata à minha família e amigos que não medem esforços para me amparar com mensagens, abraços, conversas e até guloseimas. OBRIGADA!

Apesar do medo e da falta de perspectiva ainda me assombrarem, hoje estou medicada e melhor. Consigo colocar a cabeça no travesseiro e dizer: “ufa, eu venci mais uma vez!” Sinto que estou subindo, bem devagar para não cair, porque eu não quero cair e eu não vou cair!