DEPOIS A LOUCA SOU EU

Crise, ansiedade, medo, insegurança, apelo emocional, instabilidade, desistência, gastrite, surto, desintegração, exaustão psicológica, fobia, frustração, pânico, fuga, e… Se analisarmos a humanidade em geral com certa frieza, percebemos que parecemos um monte de varetas bagunçadas, e retirar uma delas sem provocar um caos ainda maior, é praticamente impossível. Então o tarja-preta se torna o pretinho básico.

Tati Bernardi é colunista da Folha de São Paulo, roteirista de comédias românticas “amalucadas” e escritora. Neste livro ela esmiúça fatos de sua vida relacionados às suas palpitações no coração, desconforto digestivo, tremores – clinicamente conhecidos como ansiedade crônica, que por muito tempo foi “corrigida” de forma intensa com ansiolíticos de tarja-preta.

A primeira crise de pânico… Brincando de esconde-esconde quando criança, em uma viagem para praia, no supermercado ao se deparar com uma fruta pobre de sabor, ao acordar, ao ter que lidar com pessoas, no trabalho, num verão de 40 graus, na Europa… Síndrome da fuga, pensamentos repetidos, idas urgentes ao banheiro, desmaios, tentativas de cura natural e a inevitável imersão nas medicações… Hibernar pode ser a solução.

Em Depois A Louca Sou Eu, Tati reúne todos os eventos de sua vida em crônicas, a fim de contar como ela dribla o seu caso clínico e como lida com os efeitos colaterais provindos das medicações utilizadas. Distúrbios psicológicos fazem parte da realidade de uma grande parte da população mundial, mas neste livro, toda a seriedade do assunto é tratada de forma casual, original, bem humorada, leve e transparente.

Eu, assim como uma penca de outros seres humanos encalacrados nos jogos da existência, tenho várias questões mal resolvidas. Ao ler este livro, tive a oportunidade de trazer todos os distúrbios relatados pela autora, para bem pertinho dos meus sentimentos mais verdadeiros. Ninguém está muito bem.

Sobre antidepressivos e tarja-preta: “essa coisa entrou na nossa vida como novela da Globo, mas nem por isso é boa exatamente como novela da Globo.” (eu substituiria novelas por séries, enfim…)

Se dopar não é a solução para as nossas fragilidades mentais. A grande sacada é encontrar uma estratégia de sobrevivência e se conectar com a nossa essência e não com a essência dos filtros da sociedade. Escrever, cantar no chuveiro estridentemente, rir e chorar de tanto rir com filmes bobos, dizer eu te amo sem esperar nada em troca (a reciprocidade é uma consequência), se permitir descobrir novas habilidades, sair do roteiro imposto pela pressa da mente conturbada, expandir a consciência, dizer mais sim para tudo que é de bem e não percebemos.

Atenção: “Em casos de emergência, tenha um Rivotril na bolsa, porque às vezes nem é necessário fazer o uso do mesmo, mas só de tê-lo por perto a gente já fica bem.” 🙂

A mistura das sensações traz o equilíbrio sem muitos excessos e sem escassez…

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