TECNOLOGIA, NOVAS EXPERIÊNCIAS, NOMADISMO DIGITAL E REALIZAÇÃO PROFISSIONAL

Devido ao contexto histórico, as gerações passadas buscavam um padrão de vida que proporcionasse equilíbrio e segurança de forma geral. Criar raízes em um determinado lugar, ter um emprego que garantisse renda fixa em longo prazo, uma aposentadoria satisfatória e uma posição social sólida a todos os membros da família. A estabilidade e a preservação de certos valores foi por muito tempo o modelo social considerado normal a ser seguido – e é justamente esse o grande contraste promovido pela geração atual.

Nós das gerações Y e Z, temos um desejo incessante por novas experiências e desafios. Buscamos trilhar caminhos que nos permitem desenvolver novas habilidades a todo momento. Somos proativos e acreditamos que não somos fadados a exercer a profissão do nosso diploma a vida inteira e sabemos também que não precisamos ter uma carreira convencional para nos tornar profissionais bem sucedidos. Sonhamos alto e temos a convicção de que não existem fronteiras para transformar tais sonhos em realidade. E isso tudo só se tornou possível, devido ao avanço tecnológico.

A tecnologia associada à internet está cada vez mais “demolindo” as paredes dos tradicionais escritórios e promovendo um profundo desapego das fronteiras geográficas. O cartão de ponto e a rotina de “oito até as dezoito” vêm sendo desbancados pela era digital. Com o as tecnologias móveis, podemos estar conectados a todo tipo de conteúdo e somos capazes de adquirir conhecimento e realizar diversas funções, seja em casa, na Tailândia ou em qualquer lugar do mundo, em tempo real e com flexibilidade de horário.

Viajar é um dos maiores hobbies da humanidade, fato. Mas para muitas pessoas, viajar não significa apenas “turistar” por aí a fim de preencher as férias anuais de um trabalho com carteira assinada e com rotina metodicamente estabelecida entre paredes de concreto. Viajar, descobrir a integralidade e as belezas do mundo, pode ser um estilo de vida e por esta razão, surgiu a combinação viagens + internet + trabalho: que tem como resultado uma grande sacada chamada NOMADISMO DIGITAL.

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Profissões como: Web Designer, Programador, Jornalista, Escritor, Fotógrafo, Tradutor, Professor e muitas outras, permitem que mais e mais pessoas abandonem seus endereços fixos e adotem um estilo de vida e de trabalho nômade e autônomo, desde que haja uma conexão com a internet. O contato com novos lugares, novas culturas e experiências, influencia positivamente na maneira como nosso cérebro processa e organiza nossas ideias para a produção de conteúdo, principalmente criativo.

Trabalhar e ganhar dinheiro são sim fatores essenciais na vida do ser humano, entretanto, as longas horas de trabalho estão sendo substituídas pela otimização e flexibilidade do tempo útil, a fim de proporcionar qualidade de vida, serviço diferenciado e retorno financeiro – tendo o câmbio como um grande aliado. Esse é o novo modelo de trabalho e acredite, não é um devaneio.

É claro que a vida de um Nômade Digital não é inteiramente um conto de fadas e existem sim certos desgastes – um deles é o desgaste emocional por estar sempre entre encontros e despedidas, chegadas e partidas e muitas vezes não ter relações muito sólidas, ou talvez, encontrar grandes parceiros para a vida toda e ainda assim, ter que lidar com a distância. Tudo é possível e tudo é aprendizado, basta você se permitir vivenciar as diversas sensações dos momentos.

Novas carreiras e estilos de vida estão disponíveis no mercado, portanto, não permita que a sua trajetória profissional seja preestabelecida pelo fluxo da maioria e pelo status que a sociedade espera que você alcance um dia. Seja você jovem ou não, sinta-se convidado a sair do modo convencional. Sinta-se motivado a trilhar vários caminhos e descobrir inúmeras habilidades com as diferentes experiências de vida. No fundo, o verdadeiro propósito das escolhas destoantes que fazemos, é tentar encontrar a plenitude de maneira simples, e verdadeira, e não superficial, de fachada.

10 LIÇÕES E ALGUNS DESTINOS

Dias atrás eu estava tentando listar mentalmente, alguns legados que passei a carregar comigo depois de visitar certos lugares e viver experiências culturais. Resolvi então reunir todos esses pensamentos em um texto, pois assim eu consigo sistematizar minhas ideias. Vamos começar?

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1 – Acho que o primeiro grande aprendizado que tirei de uma viagem, foi durante um cruzeiro que fiz em Janeiro de 2011, cujo roteiro incluía visitar Buenos Aires e Punta Del Este. Essa foi a primeira vez que viajei para fora do país e além de conhecer lugares, pude também conhecer diversas culturas, pois os tripulantes vinham de todas as partes do mundo e falavam qualquer idioma, menos Português. Foi durante essa viagem que eu percebi que existia um mundo gigante fora da minha bolha e que não seria uma má ideia começar a explorá-lo aos pouquinhos.

2 –  Em Boston eu entendi a importância das coisas mais simples da vida. O café da tarde na casa dos meus avós. O almoço de domingo em família. As conversas com os amigos. A presença física dos meus pais em todos os momentos, mas principalmente nas horas de aperto. Um abraço acolhedor e uma mão para segurar quando a estrada estivesse escorregadia… Sempre me considerei uma pessoa independente sentimentalmente falando, mas foi longe disso tudo, que me descobri muito mais apegada do que pensava.

3 –  Em Nova York eu aprendi que tudo bem se os meus planos iniciais tomarem rumos diferentes ao longo do tempo. Não tem como planejar minuciosamente o futuro, me privar de correr riscos e não me deparar com o inusitado em alguns momentos. Foi justamente o inusitado que me fez enxergar tudo a minha volta com olhos curiosos e dispostos a seguir em frente sem muito medo do mundo. Sem medo de sonhar alto.

4 – Ainda em Nova York, eu aprendi que pode ser que os meus sonhos me levem para longe das pessoas que mais amo na vida, porém, não existe distância para a  veracidade dos sentimentos que nos unem. O meu porto seguro sempre estará no meu coração.

5 – Londres me ensinou que quem converte é prevenido e pode se divertir muito! Viajar através dos meus próprios recursos, administrar os meus gastos respeitando a minha realidade e ao mesmo tempo viver experiências e conhecer lugares de tirar o fôlego, me fez entender que não existe limite para realizar sonhos.

6 – O meu único dia em Oxford me fez reconhecer que enfrentar os perrengues com uma galera torna a viagem ainda mais especial. A tempestade que enfrentamos na fila de entrada para o Christ Church University (um dos colleges da Universidade de Oxford), leva o título de um dos momentos mais bizarros de toda a viagem. Essa se tornou uma história muito nossa e somente nós conseguimos chorar de tanto rir do nosso desespero.

7 –  Eu aprendi muitas coisas  relacionadas aos aspectos culturais presentes no dia a dia da capital francesa, inclusive compilei todos esses aprendizados em um post – clique aqui para conferir. No geral, eu aprendi com os parisienses que não é obrigatório, porém simpático por parte dos turistas, ter na ponta da língua pelo menos o básico do vocabulário local e aplicá-lo vez ou outra em conversas aleatórias com os nativos.

8 – Em Amsterdam, a tolerância em questões como drogas, sexo, religião e liberdades individuais quebra tabus, fazendo com que assuntos de relevância social se integrem naturalmente à cultura da capital holandesa. Sendo assim, aprendi que a evolução humana na prática, é a capacidade que temos de conviver com as infinitas verdades de maneira flexível e cristalina.

9 – Em Toronto eu percebi que sozinha ou em grupo, tanto faz, contanto que eu viaje e viva experiências longe da minha zona de conforto. Eu tive muita convicção do meu desejo incontrolável de ir – para qualquer lugar, mas ir, explorar, experimentar, ver com os meus próprios olhos, aprender e viver.

10 – Por fim, reservo este espaço para todas as experiências que ainda não tive, todos os lugares que ainda não visitei, todas as pessoas que ainda não encontrei e todas as lições que ainda não aprendi. E que isso seja apenas uma questão de tempo…