CONHECIMENTO E EXPERIÊNCIA CULTURAL OU ACÚMULO DE CONTEÚDO? ESTABELEÇA PRIORIDADES…

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A vida escolar da maioria dos adolescentes entre 15 e 18 anos é sem sombra de dúvidas dominada pelas palavras ENEM e VESTIBULAR. O ano aproxima-se do fim e o que mais tenho observado nas redes sociais são postagens de escolas parabenizando seus alunos por terem sido aprovados em cursos concorridíssimos em universidades consideradas “o sonho de qualquer estudante”.

Com a finalidade de propagar bons resultados no Enem e nos vestibulares, muitas escolas adotam um método de ensino com carga horária de estudos altíssima, provas, simulados e mais simulados, plantões de dúvida, aulas extras para analisar provas do Enem e vestibulares anteriores das grandes universidades e por aí vai… E isso tudo com um adicional – PRESSÃO, podendo desencadear vários problemas psicológicos como: dificuldade de aprendizagem, irritabilidade, tensão, insônia, isolamento, entre outros…

Essa pressão não é exercida somente por escolas, mas também por pais e responsáveis, e muitas vezes por status. Os jovens se prendem àquelas profissões ditas tradicionais e acabam não explorando as mais variadas opções que existem hoje em dia. Muitos cursos novos estão surgindo, porém, os adolescentes são estimulados a seguirem um padrão já estipulado. E o autoconhecimento nesse caso, fica sempre em segundo plano.

Vivemos em um mundo imediatista, onde os jovens anseiam passar no vestibular e ingressar em um curso promissor monetariamente com 16/17/18 anos, terminar com 22/23 e entrar para o mercado de trabalho. Na pressa de alcançarem seus objetivos em um piscar de olhos, acabam ficando alheios à educação cultural.

Influenciados pela teoria do imediato, muitos jovens e adolescentes acreditam que um intercâmbio de high school possa torná-los despreparados para o vestibular, ou que um gap year para realizar uma atividade diferente em outro país depois do terceiro ano, seria perda de tempo, pois teoricamente deveriam estar na universidade.

Pressão psicológica, falta de autoconhecimento e sociedade imediatista, são as principais razões pelas quais os adolescentes ingressam mais e mais cedo em universidades e na maioria das vezes, completamente perdidos. A princípio a universidade soa como uma alternativa para fugir da pressão do ensino médio, por conta disso, estudantes acabam optando por cursos que nada têm a ver com suas personalidades, mas ainda assim, seguem até o final. Resultado disso tudo: ADULTOS MAL PREPARADOS E FRUSTRADOS PROFISSIONALMENTE.

Com base nos relatos acima, gostaria de dizer aos jovens que possivelmente estiverem lendo este texto, que tudo bem se você não passar no vestibular aos 16 anos. Tudo bem se você não ingressar em uma universidade aos 17. TUDO NO SEU TEMPO! Tudo bem se você não curtir fazer Medicina, Engenharia ou Direito e preferir Artes Cênicas, Música, Design Gráfico ou Gastronomia. Não opte por um curso visando apenas o retorno financeiro, leve em conta as suas afinidades pela área, pois quando fazemos algo por prazer, o sucesso é uma consequência positiva.

Tudo bem também se você começar um curso e de repente perceber que aquela não é a sua praia… Não tem problema mudar de direção. E se mesmo depois de graduado você decidir seguir uma carreira diferente, TUDO BEM!!! Eu sou formada em Farmácia, mas dou aulas de inglês, amo viajar, conhecer novas culturas e escrever – principalmente sobre viagens.

Outra coisa muito importante e acho que todo jovem e adolescente deveria ter para si, é que muitas coisas a gente não aprende em uma sala de cursinho pré-vestibular, mas sim com os carimbos que adquirimos em nossos passaportes pelo mundo afora. Por essa razão é que incentivo os adolescentes a se interessarem por programas de intercâmbio cultural, pois digo por experiência própria que só descobri quem eu sou e do que realmente sou capaz, quando fiz meu primeiro intercâmbio. (Contei em detalhes como foi minha experiência neste post, CLIQUE AQUI PARA CONFERIR!)

Não quero de forma alguma que diretores, coordenadores e donos de escolas me interpretem mal, apenas quero que tentem visualizar seus alunos com uma vida após o Enem e os vestibulares. Talvez investir em um ensino mais construtivista possa colaborar para o sucesso em longo prazo.

É importante estabelecer uma relação de afeto durante o processo de aprendizagem, a fim de estimular os estudantes a serem capazes de reorganizar ideias e conceitos coletivamente, e não apenas acumular conteúdo como se fossem robôs programados para a obtenção de excelentes resultados em exames seletivos.

E aos pais, cabe respeitar as aptidões de seus filhos para com as diversas áreas de atuação no mercado de trabalho, e permitir que eles explorem diferentes habilidades (artística, criativa, científica, esportiva, entre outras). Esta é uma maneira de colaborar significativamente para o autoconhecimento dos jovens e adolescentes. Lembre-se que orientar é diferente de reprimir!