TATUEI…

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Viajar se tornou a maior oportunidade da minha vida nos últimos anos. Encontrei outras paisagens, outras culturas, outros gostos, outros costumes, outras vidas e outros mundos. Viajo frequentemente no tempo e nas experiências que vivi, e essas experiências se tornaram guias que me encorajam e me fazem ir, permitindo que minha mente, minha alma e meu coração pulsem em ritmos acelerados e em completa sintonia.

A meu ver, o avião é a materialização do real significado das palavras liberdade, impulso e direção. Liberdade dos conceitos e pré-conceitos, liberdade para vivenciar algo incrivelmente exótico, mas que para um outro alguém em algum lugar, pode ser totalmente trivial. O avião me proporcionou o impulso e a coragem de enfrentar a maior e mais desafiadora fronteira da minha vida: O MEU MEDO de sair da zona de conforto, de tentar, de cair, de recomeçar e de aprender. Encontro em cada embarque uma direção, cuja trajetória pode apresentar algumas turbulências, mas uma vez que eu decido decolar, não posso simplesmente desistir do voo ao me deparar com uma tempestade, preciso encontrar o equilíbrio e seguir em frente.

O avião transforma todas as minhas imaginações em grandes descobertas, pois me transporta fisicamente para os meus maiores sonhos… Me faz pisar em solo e enxergar tudo com os meus próprios olhos. Durante muito tempo eu tive um medo absurdo de avião (e ainda tenho haha), mas o medo que sentia quando criança me fazia chorar de desespero até mesmo por causa de um avião de brinquedo que ganhei do meu pai… Ironia da vida, pois hoje, os embarques e os desembarques desbancam e atenuam todas as minhas inseguranças.

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Toda vez que olho para a minha tatuagem, lembro-me de me conectar com todos os meus sonhos e por mais que eu tenha consciência da impermanência das coisas, não devo jamais me auto-sabotar e subestimar a minha capacidade de viver com a mente desperta para criar e recriar a minha realidade. Quero apreciar tudo minuciosamente, aqui, e lá do outro lado do mundo, mesmo que um pouco desse “tudo” seja adversidade, que com certeza me transforma em um novo ser, capaz de agarrar a vida com força, pois querer é o bastante para tentar, tentar, tentar e tentar, incessantemente.

Quero sair da zona de conforto, conhecer o mundo, os diversos mundos e o meu próprio mundo. Com céu de brigadeiro ou com turbulências, quero antes de mais nada acreditar de verdade que eu mereço a realização de todos os meus sonhos, até mesmo daqueles mais mirabolantes… E então abraçá-los fortemente e dizer: Sejam muito bem-vindos a essa viagem e espero que ela tenha tudo a ver com o que eu realmente busco.

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 “AS ASAS DA ALMA SE CHAMAM CORAGEM. CORAGEM NÃO É A AUSÊNCIA DO MEDO. É LANÇAR-SE, A DESPEITO DO MEDO.”

TURISMO DE EMPATIA: REFUGIADOS NO ORIENTE MÉDIO

Talita Ribeiro saiu de sua zona de conforto e embarcou em uma viagem arriscada, a fim de conhecer um mundo onde muitas mulheres resistem à guerra e à pobreza extrema. Mulheres que enfrentam grupos terroristas com armas nitidamente inferiores, e lutam bravamente contra crimes relacionados à desigualdade de gênero e levantam suas bandeiras em busca de liberdade e perspectiva de vida, ainda que elas saibam o quão difícil é alimentar sonhos em meio a uma estratégia de sobrevivência tão incerta.

O desejo de conhecer de perto a história de vida, ou melhor, de sobrevivência dessas mulheres, surgiu a partir de uma foto, a qual uma mulher atravessava a fronteira da Síria com o Curdistão, entretanto, o que mais chamou atenção e despertou curiosidade em Talita, foi o fato de a mulher estar trocando sua burca preta, por roupas coloridas, demonstrando assim, coragem, liberdadeesperança e empoderamento feminino.

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Alguns dias após sua volta ao Brasil, Talita lançou um financiamento coletivo e mais de 700 colaboradores abraçaram as experiências provenientes de sua intensa imersão, tornando suas lindas crônicas – escritas durante a viagem – em um livro cheio de empatia. É importante ressaltar que todo o lucro arrecadado foi enviado para projetos de amparo aos refugiados que Talita conheceu na Jordânia e no Curdistão Iraquiano.

Refugiados no Oriente Médio é o primeiro livro da coleção Turismo de Empatia – uma nova “modalidade de turismo”, muito bem conceituada, explorada e descrita pela autora Talita Ribeiro, que por sua vez, enfrentou todos os seus medos e embarcou em uma viagem no mínimo diferente, atravessou fronteiras desafiadoras e chegou a territórios sagrados: no coração do outro. Em paralelo, a autora como uma boa viajante, amante do mundo e suas belezas, também dá dicas turísticas dos lugares visitados em um passo a passo bem detalhado.

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O termo “Turismo de Empatia” não surgiu por acaso. A autora entrou em contato com diferentes mundos, viu e vivenciou muitas histórias, que têm como protagonistas, pessoas que depositam uma mínima esperança em um mundo novo, porém cheio de medos e inseguranças. Ao contrário do que muitos pensam empatia não significa sentir pena ou descaso, mas sim a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Ter a sensibilidade de sentir o que o outro sente em determinada situação. É um sentimento de troca.

Em uma das cônicas, a matriarca de uma das famílias visitadas por Talita e seus companheiros nessa missão em Amã, na Jordânia, disse: “gosto de vocês, porque sabem e se interessam em escutar”.

O intuito de Talita ao lançar esse livro, foi promover no leitor certa inquietação através da empatia. Cláudia, a enfermeira brasileira que trabalha como voluntária na Jordânia diz que: “o exercício do amor não é algo simples ou óbvio”, portanto, quando nos esforçamos para abandonar o nosso preconceito e permitimos que o nosso coração seja tocado pela alegria ou pela dor que habitam no coração do outro, formamos um elo que serve como uma ponte entre nós, e então as diferenças deixam de ser abismos. Isso é empatia e infelizmente esse sentimento está escasso no mundo.

“Existem várias maneiras de aprender, e uma das mais lindas é se colocando no lugar do outro.” Bel Pesce – fundadora da editora Enkla.

SOBRE HOMOFOBIA E O DEBATE ENTRE FELIPE NETO E MARCO FELICIANO

sobre homofobia

A questão da homossexualidade está no centro do campo de batalhas hoje em dia justamente por causa da geração em que vivemos. Nós somos a geração que questiona e se expressa. Não abaixamos a cabeça para certas imposições sociais e encaramos a situação de frente, e o debate entre o youtuber Felipe Neto e o Pastor Marco Feliciano é um exemplo disso.

Um fato incontestável é que nós vivemos em um mundo onde muitas pessoas veem suas religiões como verdadeiras ditadoras de regras sociais e ainda as utilizam para justificar suas intolerâncias em relação a diferentes assuntos, dando ênfase à problematização de algo que é muito mais simples do que imaginamos.

Existem diversos livros sagrados escritos há muito tempo, com termos e linguagens de alta complexidade, como por exemplo, a Bíblia. Depois de uma série de argumentos políticos – e eu nem quero entrar no mérito dessa questão, pois não é o meu foco por ora, o debate tomou um rumo mais pessoal e Felipe Neto dispara que a Bíblia pode ser contestada no ponto de vista homoafetivo, e Marco Feliciano rebate dizendo que não, pois a Bíblia é inerrante palavra de Deus. Logo em seguida, ele diz que certas coisas não precisam ser faladas e escritas (referindo-se a relatos da Bíblia e ao “posicionamento” de Jesus Cristo em relação à homossexualidade), pois nós entendemos como funcionam. “NÓS QUEM?” Nenhum relato me convence de que Jesus um dia se voltou e ainda se volta contra os homossexuais.

A partir do momento em que admitimos que certas coisas não precisam ser ditas de fato, pois nós entendemos como elas funcionam na sociedade, abrimos espaço para a interpretação e essa interpretação na grande maioria das vezes não é unânime, mas sim pessoal. Cada indivíduo tem o direito de ter a crença que quiser, contanto que essa crença particular em momento algum controle a maneira como o outro pensa. Não existe um único encaixe e muito menos somos portadores de uma verdade absoluta, o que existe é a liberdade de concordarmos ou não com diferentes doutrinas e segmentos.

A Homofobia não é necessariamente uma prática de agressão física – e o mesmo vale para as práticas machistas e racistas, por exemplo. Existem várias maneiras de atingir o próximo, sendo que criminalizar e demonizar a liberdade de escolha e expressão do outro, utilizando as religiões e os seus livros sagrados como escudo, é uma das mais cruéis.

Em um determinado momento do vídeo, Feliciano diz que o que define um homem é exclusivamente o que ele tem no meio das pernas, ignorando desta forma os conceitos de sexo, gênero e sexualidade. Existem várias fontes de informação, portanto, caso você ainda pense que essas coisas são basicamente a mesma coisa, eu te convido a sair da sua bolha, ler e estudar. A ignorância é a maneira mais leviana de sustentar um padrão heteronormativo. Quando temos uma visão totalmente retilínea sobre um determinado assunto, em algum momento acabamos ficando sem argumentos plausíveis e consequentemente nos contradizemos. E isso vale para tudo na vida.

A meu ver, o que realmente pode ser considerado antinatural, é o ato de espalhar teorias opressoras envolvendo o nome de Deus. Eu acredito no Deus acolhedor, que em momento algum repreende a liberdade de escolha, mas que propaga a inclusão de personalidades em uma sociedade tão saturada de padrões preconceituosos. “A intolerância não está descrita nos livros sagrados, a intolerância está na cabeça das pessoas”.

O vídeo/debate está disponível no canal do youtuber Felipe Neto e você pode acessá-lo clicando no link abaixo. Caso se interesse, na descrição deste mesmo vídeo tem um link disponível para download, o qual se refere ao debate na íntegra – sem edição.

TECNOLOGIA, NOVAS EXPERIÊNCIAS, NOMADISMO DIGITAL E REALIZAÇÃO PROFISSIONAL

Devido ao contexto histórico, as gerações passadas buscavam um padrão de vida que proporcionasse equilíbrio e segurança de forma geral. Criar raízes em um determinado lugar, ter um emprego que garantisse renda fixa em longo prazo, uma aposentadoria satisfatória e uma posição social sólida a todos os membros da família. A estabilidade e a preservação de certos valores foi por muito tempo o modelo social considerado normal a ser seguido – e é justamente esse o grande contraste promovido pela geração atual.

Nós das gerações Y e Z, temos um desejo incessante por novas experiências e desafios. Buscamos trilhar caminhos que nos permitem desenvolver novas habilidades a todo momento. Somos proativos e acreditamos que não somos fadados a exercer a profissão do nosso diploma a vida inteira e sabemos também que não precisamos ter uma carreira convencional para nos tornar profissionais bem sucedidos. Sonhamos alto e temos a convicção de que não existem fronteiras para transformar tais sonhos em realidade. E isso tudo só se tornou possível, devido ao avanço tecnológico.

A tecnologia associada à internet está cada vez mais “demolindo” as paredes dos tradicionais escritórios e promovendo um profundo desapego das fronteiras geográficas. O cartão de ponto e a rotina de “oito até as dezoito” vêm sendo desbancados pela era digital. Com o as tecnologias móveis, podemos estar conectados a todo tipo de conteúdo e somos capazes de adquirir conhecimento e realizar diversas funções, seja em casa, na Tailândia ou em qualquer lugar do mundo, em tempo real e com flexibilidade de horário.

Viajar é um dos maiores hobbies da humanidade, fato. Mas para muitas pessoas, viajar não significa apenas “turistar” por aí a fim de preencher as férias anuais de um trabalho com carteira assinada e com rotina metodicamente estabelecida entre paredes de concreto. Viajar, descobrir a integralidade e as belezas do mundo, pode ser um estilo de vida e por esta razão, surgiu a combinação viagens + internet + trabalho: que tem como resultado uma grande sacada chamada NOMADISMO DIGITAL.

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Profissões como: Web Designer, Programador, Jornalista, Escritor, Fotógrafo, Tradutor, Professor e muitas outras, permitem que mais e mais pessoas abandonem seus endereços fixos e adotem um estilo de vida e de trabalho nômade e autônomo, desde que haja uma conexão com a internet. O contato com novos lugares, novas culturas e experiências, influencia positivamente na maneira como nosso cérebro processa e organiza nossas ideias para a produção de conteúdo, principalmente criativo.

Trabalhar e ganhar dinheiro são sim fatores essenciais na vida do ser humano, entretanto, as longas horas de trabalho estão sendo substituídas pela otimização e flexibilidade do tempo útil, a fim de proporcionar qualidade de vida, serviço diferenciado e retorno financeiro – tendo o câmbio como um grande aliado. Esse é o novo modelo de trabalho e acredite, não é um devaneio.

É claro que a vida de um Nômade Digital não é inteiramente um conto de fadas e existem sim certos desgastes – um deles é o desgaste emocional por estar sempre entre encontros e despedidas, chegadas e partidas e muitas vezes não ter relações muito sólidas, ou talvez, encontrar grandes parceiros para a vida toda e ainda assim, ter que lidar com a distância. Tudo é possível e tudo é aprendizado, basta você se permitir vivenciar as diversas sensações dos momentos.

Novas carreiras e estilos de vida estão disponíveis no mercado, portanto, não permita que a sua trajetória profissional seja preestabelecida pelo fluxo da maioria e pelo status que a sociedade espera que você alcance um dia. Seja você jovem ou não, sinta-se convidado a sair do modo convencional. Sinta-se motivado a trilhar vários caminhos e descobrir inúmeras habilidades com as diferentes experiências de vida. No fundo, o verdadeiro propósito das escolhas destoantes que fazemos, é tentar encontrar a plenitude de maneira simples, e verdadeira, e não superficial, de fachada.

10 LIÇÕES E ALGUNS DESTINOS

Dias atrás eu estava tentando listar mentalmente, alguns legados que passei a carregar comigo depois de visitar certos lugares e viver experiências culturais. Resolvi então reunir todos esses pensamentos em um texto, pois assim eu consigo sistematizar minhas ideias. Vamos começar?

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1 – Acho que o primeiro grande aprendizado que tirei de uma viagem, foi durante um cruzeiro que fiz em Janeiro de 2011, cujo roteiro incluía visitar Buenos Aires e Punta Del Este. Essa foi a primeira vez que viajei para fora do país e além de conhecer lugares, pude também conhecer diversas culturas, pois os tripulantes vinham de todas as partes do mundo e falavam qualquer idioma, menos Português. Foi durante essa viagem que eu percebi que existia um mundo gigante fora da minha bolha e que não seria uma má ideia começar a explorá-lo aos pouquinhos.

2 –  Em Boston eu entendi a importância das coisas mais simples da vida. O café da tarde na casa dos meus avós. O almoço de domingo em família. As conversas com os amigos. A presença física dos meus pais em todos os momentos, mas principalmente nas horas de aperto. Um abraço acolhedor e uma mão para segurar quando a estrada estivesse escorregadia… Sempre me considerei uma pessoa independente sentimentalmente falando, mas foi longe disso tudo, que me descobri muito mais apegada do que pensava.

3 –  Em Nova York eu aprendi que tudo bem se os meus planos iniciais tomarem rumos diferentes ao longo do tempo. Não tem como planejar minuciosamente o futuro, me privar de correr riscos e não me deparar com o inusitado em alguns momentos. Foi justamente o inusitado que me fez enxergar tudo a minha volta com olhos curiosos e dispostos a seguir em frente sem muito medo do mundo. Sem medo de sonhar alto.

4 – Ainda em Nova York, eu aprendi que pode ser que os meus sonhos me levem para longe das pessoas que mais amo na vida, porém, não existe distância para a  veracidade dos sentimentos que nos unem. O meu porto seguro sempre estará no meu coração.

5 – Londres me ensinou que quem converte é prevenido e pode se divertir muito! Viajar através dos meus próprios recursos, administrar os meus gastos respeitando a minha realidade e ao mesmo tempo viver experiências e conhecer lugares de tirar o fôlego, me fez entender que não existe limite para realizar sonhos.

6 – O meu único dia em Oxford me fez reconhecer que enfrentar os perrengues com uma galera torna a viagem ainda mais especial. A tempestade que enfrentamos na fila de entrada para o Christ Church University (um dos colleges da Universidade de Oxford), leva o título de um dos momentos mais bizarros de toda a viagem. Essa se tornou uma história muito nossa e somente nós conseguimos chorar de tanto rir do nosso desespero.

7 –  Eu aprendi muitas coisas  relacionadas aos aspectos culturais presentes no dia a dia da capital francesa, inclusive compilei todos esses aprendizados em um post – clique aqui para conferir. No geral, eu aprendi com os parisienses que não é obrigatório, porém simpático por parte dos turistas, ter na ponta da língua pelo menos o básico do vocabulário local e aplicá-lo vez ou outra em conversas aleatórias com os nativos.

8 – Em Amsterdam, a tolerância em questões como drogas, sexo, religião e liberdades individuais quebra tabus, fazendo com que assuntos de relevância social se integrem naturalmente à cultura da capital holandesa. Sendo assim, aprendi que a evolução humana na prática, é a capacidade que temos de conviver com as infinitas verdades de maneira flexível e cristalina.

9 – Em Toronto eu percebi que sozinha ou em grupo, tanto faz, contanto que eu viaje e viva experiências longe da minha zona de conforto. Eu tive muita convicção do meu desejo incontrolável de ir – para qualquer lugar, mas ir, explorar, experimentar, ver com os meus próprios olhos, aprender e viver.

10 – Por fim, reservo este espaço para todas as experiências que ainda não tive, todos os lugares que ainda não visitei, todas as pessoas que ainda não encontrei e todas as lições que ainda não aprendi. E que isso seja apenas uma questão de tempo…

“INCOMODOU, DOEU? LEVA PARA CASA QUE É TEU!”

“INCOMODOU, DOEU? LEVA PARA CASA QUE É TEU.” – Ouvi essa frase pela primeira vez em um vídeo que assisti casualmente há uns meses no canal da Flávia Melissa. Flávia é Psicóloga, pós-graduada em Acupuntura e em 2010, se mudou para Xangai e mergulhou nos ensinamentos da encantadora Medicina Chinesa. Atualmente produz e compartilha conteúdo motivacional online sobre desenvolvimento humano. Saiba mais em www.flaviamelissa.com.br

Engraçado que essa frase não me fez muito sentido a princípio e eu só consegui entender a essência dela, durante as sessões de CoachIng que tive com a Carol Herr, do canal Cajuína e Frevo. Após uma fase de desequilíbrio emocional, percebi que precisava de ajuda para tentar reorganizar os meus pensamentos e a Carol foi fundamental nesse processo de busca e cura pessoal e emocional.

Quando assumimos essa busca por nós mesmos, entramos em contato com fraquezas que por algum motivo foram cultivadas ao longo da nossa vida. Essas fraquezas apenas foram deixadas no modo silencioso em algum cantinho da nossa existência, entretanto, nunca foram superadas de fato e então, nossos ouvidos se tornam cristais frágeis.

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Muitas vezes temos o nosso interior fragmentado e acabamos projetando nas outras pessoas os nossos próprios conflitos pessoais. Insistimos em olhar sempre para fora e de maneira superficial, ao invés de olhar para dentro de nós mesmos. Toda situação que nos desperta algum tipo de sentimento amargo, como frustração, raiva, angústia, entre outros, é porque provavelmente nos deparamos com as nossas fragilidades. E então, nos colocamos na posição de vítima e passamos a enxergar os indivíduos envolvidos, como verdadeiros responsáveis pelas nossas dores.

Hoje eu entendo que muitas das minhas frustrações aconteceram porque na realidade, eu projetei em atitudes de pessoas aleatórias, as minhas próprias inseguranças – que nem eu sabia que ainda existiam. Se eu estivesse em harmonia comigo mesma, a carapuça não teria servido, afinal, o que as outras pessoas pensam sobre mim em diferentes aspectos, é um problema delas e não meu.

Se determinada situação causou algum tipo de incômodo, é porque algo em nós não está em equilíbrio. Eu entendo perfeitamente que os sentimentos não se curvam ao racional, mas é muito importante recuperar o mínimo da nossa consciência perguntando a nós mesmos: “por que eu estou agindo dessa forma?” Descobrir qual é a nossa parcela de responsabilidade nesse incômodo/sofrimento, é esclarecedor.

Soa até um pouco egoísta e individualista, mas a verdade é que na maioria das vezes, as pessoas sequer sabem do nosso caos interior. No dia a dia ninguém está tão interessado assim nos nossos pormenores, portanto, não podemos nos tornar tão vulneráveis, tão facilmente atingíveis e permitir que atitudes, palavras e até mesmo olhares totalmente aleatórios, destruam a nossa autoestima e a nossa paz interior.

Esse processo de busca e desenvolvimento pessoal requer uma visita minuciosa ao nosso passado, com o intuito de reconhecer nossas fragilidades e lidar diretamente com certos questionamentos camuflados e adormecidos. E isso dói. Mas eu aprendi que a dor nem sempre vem para maltratar, muitas vezes ela vem para libertar. O autoconhecimento resgata a nossa serenidade e nos possibilita encarar a vida de uma maneira mais clean, mais leve.

QUANTO TEMPO DEMORA PARA ME TORNAR FLUENTE EM UM IDIOMA?

Com a globalização, ser fluente em dois ou mais idiomas se tornou um verdadeiro MUST e não apenas um diferencial, tanto para o disputadíssimo mercado de trabalho, quanto para viajar, explorar o mundo, se comunicar com estrangeiros e se sentir parte de uma cultura diferente. Seja lá qual for seu objetivo principal, a pergunta mais frequente e que não quer calar é:

BPO quanto tempo demora para me tornar fluente em um idioma

Assim como praticamente tudo na vida, aprender um idioma é um processo e todo processo requer um tempo – que pode ou não ser otimizado. Na maioria das vezes, quando pensamos em nos dedicar ao aprendizado de uma língua, a primeira ideia que temos em mente é procurar uma escola de idiomas. Independente do método utilizado por cada escola, os cursos oferecem aos alunos um caminho, cujo guia é o professor, desta forma, o aluno se sente amparado durante o aprendizado. Entretanto, o contato com o idioma não pode se limitar as duas ou três horas de aulas semanais na escola.

Por mais que as escolas garantam a fluência no idioma X em um determinado período, tenha em mente que a prática do idioma é algo que você deve incluir na sua rotina diária de alguma forma, e fazer a lição de casa 10 minutos antes da aula e não manter o contato com o idioma por iniciativa própria fora da sala, só vai te fazer trilhar um caminho por um longo tempo, sem perspectiva de chegar a um lugar específico.

Outra maneira muito eficiente de aprender ou aprimorar outra língua é se aventurar em um intercâmbio. A imersão cultural e o contato com nativos é uma oportunidade incrível de adquirir confiança em todas as habilidades. O grande problema é que se expor a um idioma que não dominamos é um desafio e muitas vezes os brasileiros acabam se unindo lá na gringa e a prática do idioma local se torna totalmente fail. É importante fazer amizades com pessoas de outras nacionalidades, pois além de agregar uma grande bagagem cultural, proporciona também adaptação a diferentes sotaques.

O fato é que curso de idioma e intercâmbio nenhum fará milagre, caso você não tenha um comprometimento com o aprendizado e não esteja disposto a viver o idioma de forma consistente. É preciso ter iniciativa para torná-lo parte da sua rotina, mesmo estando aqui no Brasil. O primeiro passo é mudar as configurações do celular, computador e demais dispositivos para o idioma que deseja aprender.

Ouvir músicas e estudar suas respectivas letras utilizando um dicionário, assistir filmes, séries, vídeos, telejornais e TV shows, com legenda no idioma estudado, é indispensável para que os ouvidos se familiarizem com os sotaques. Sabe aquele filme que você já assistiu no mínimo umas 10 vezes na sua vida? Assista-o novamente, mas dessa vez, com a legenda no idioma que está estudando. Aos poucos o seu cérebro vai assimilando as novas informações e tornando-as usuais.

PS: Não tenha preguiça de pausar e pesquisar o significado de expressões e gírias – e se for possível, utilize um dicionário monolíngue.

Ler livros, artigos científicos, reportagens em jornais impressos ou online e fazer o resumo dos conteúdos, proporciona a prática de duas habilidades ao mesmo tempo: compreensão de texto e escrita. Ler qualquer texto e reescrevê-lo com as nossas palavras, estimula a nossa criatividade e nosso senso crítico/analítico, preparando-nos desta forma, para criar nossos próprios conteúdos no idioma desejado.

A comunicação oral é geralmente a habilidade mais temida pelos estudantes e é de suma importância mencionar que a fala envolve músculos que precisam ser “destravados”. Ler e cantar em voz alta, por exemplo, são dicas infalíveis para trabalhar a dicção. Algo que parece meio maluco, mas que funcionou muito para mim – e ainda funciona, pois eu estou em constante aprendizado – é sentar na frente do espelho e contar o que aconteceu durante o dia, ou planejar as atividades para o dia seguinte, contar a história de um filme ou um livro que tenha achado legal (ou talvez nem tão legal assim). Desta maneira, além de praticar a fala, ainda praticamos os tempos verbais e as estruturas gramaticais do idioma.

O maior inimigo de um estudante de línguas é a vergonha de cometer erros, principalmente durante uma conversa. Saiba que qualquer pessoa comete falhas e por mais conhecimento que tenhamos, o aprendizado é para a vida inteira. Novas palavras, expressões e gírias surgem a todo momento e o vocabulário está em constante atualização.

Uma opção superinteressante para quem realmente deseja aprender idiomas é o ITALKI.  Uma plataforma online onde o aluno encontra professores nativos e pode praticar todas as habilidades com aulas via Skype. É importante ressaltar que este é um serviço pago, porém extremamente seguro e eficaz. Vale a pena fazer o cadastro gratuitamente e conhecer melhor o sistema, caso se interesse, você pode pagar apenas por uma aula experimental com qualquer um dos professores disponíveis. Existem também várias opções gratuitas e uma delas é o YouTube, que tem se tornado cada vez mais uma ótima ferramenta de estudo em todas as áreas.

Lembre-se, que participar das aulas em escolas de línguas e fazer intercâmbio, são apenas algumas das muitas possibilidades que temos para praticar um idioma, porque o estudo em si, é o tempo todo e em todas as situações.

   

LOLLAPALOOZA PELA PRIMEIRA VEZ! #LollaBR2016

entrada lolla

O Lollapalooza é um festival de música que engloba gêneros musicais bem expressivos, como: Rock Alternativo, Punk Rock e Heavy Metal. O festival existe desde 1991 e foi idealizado por Perry Farrell, vocalista da banda Jane’s Addiction. A princípio, o evento foi criado apenas para se tonar parte da turnê de despedida da banda, mas o festival ganhou força e passou por algumas mudanças, e o que era pra ser uma turnê na América do Norte, se tronou um dos maiores eventos musicais do planeta. Hoje em dia o Lollapalooza marca presença anualmente nas cidades de Chicago, Berlim, São Paulo, Santiago, Buenos Aires e Bogotá.

O festival chegou ao Brasil pela primeira vez em 2012, no Jockey Club, em São Paulo. Segundo relatos, a primeira edição do Lollapalooza em território brasileiro foi meio “fail”, entretanto, os organizadores têm se esforçado cada vez mais para reparar falhas passadas, a fim de garantir a qualidade do evento. Atualmente a casa do Lolla BR é o Autódromo de Interlagos, na capital paulista e conta com uma estrutura imponente.

No fim de semana dos dias 12 e 13 de Março de 2016, o Lollapalooza chegou mais uma vez em nosso país, e com força total! Eu que sempre o acompanhei pela televisão e internet, resolvi conferir in loco a quinta edição do festival no Brasil. O evento teve  um lineup bem recheado de shows incríveis, entre eles, Eminem, Florence + The Machine, Marina and the Diamonds, Kaskade, Bad Religion, Karol Conka, Emicida, Zedd, Jack U, Alabama Shakes e muitos outros fenômenos musicais. (Clique aqui para conferir a lista completa). A edição de 2016 contou com quatro palcos montados em diferentes pontos do Autódromo de Interlagos: Palco Skol, Palco Trident, Palco Onix e Palco Axe.

palco tridente

palco skol eminem

palco onix

palco trident

florence 2

Além de muita música boa, o evento também proporcionou outras atrações ao público, por exemplo:

*Lolla Market: um espaço dedicado não somente a lojas, mas também teve como finalidade proporcionar momentos de lazer e experiências divertidas.

*Chef’Stage: Chefs renomados do nosso país garantiram a qualidade e a variedade gastronômica ao público.

*Sempre Livre Lolla Lounge: espaço VIP destinado a um número restrito de pessoas e que proporcionou ainda algumas regalias, como: banheiros privativos, vista panorâmica do Autódromo de Interlagos, restaurante, bar, entre outras…

*Kidzapalooza: pais que quiseram compartilhar o momento “Lollapalooza” com seus filhos, ou que por algum outro motivo os levaram ao evento, puderam contar com um festival dentro do megafestival para crianças a partir de cinco anos de idade.

Algo muito interessante, é que o Lollapalooza apresenta a sua própria moeda – o Lolla Mangos – e tem a finalidade de evitar a formação de filas durante a compra de comida e bebida, tanto no Chef’Stage, quanto nos diversos food trucks. A conversão este ano era 1/1, portanto, um Lolla Mango valia um real, e podia ser adquirido antecipadamente via internet, ou nos pontos de venda espalhados pelo Autódromo de Interlagos durante o evento.

lolla mangos

A qualidade musical por parte dos artistas que estiveram presentes nos dois dias de festival foi INCONTESTÁVEL! Outra coisa incontestável foi a diversidade de público que o evento atraiu. Não foi levantada apenas uma única bandeira, mas sim todas as bandeiras e todos os estilos tiveram voz e vez.

lollapalooza

Caso queira obter mais informações e até mesmo se planejar para 2017, não deixe de conferir o site oficial do Lollapalooza Brasil clicando aqui.

 

CASA DE FAMÍLIA OU RESIDÊNCIA ESTUDANTIL – QUAL TIPO DE ACOMODAÇÃO ESCOLHER DURANTE O INTERCÂMBIO?

Ohh dúvida cruel

O tipo de acomodação/hospedagem a ser escolhida durante um programa de intercâmbio é uma das decisões mais importantes. Geralmente os dois tipos de acomodação oferecidos para programas de estudo no exterior são: Casa de Família e Residência Estudantil. Ambas oferecem uma vasta troca cultural, mas é fundamental que o estudante entenda as principais diferenças entre uma e outra e saiba identificar qual opção melhor condiz com o seu estilo e com seus objetivos durante a viagem.  

CASA DE FAMÍLIA (HOMESTAY)

A opção homestay consiste em famílias nativas ou de imigrantes (que tenham o idioma local como o principal), que estejam dispostas a receber estudantes de outros países. O recrutamento dessas famílias é de responsabilidade do departamento de acomodação das escolas de idioma, e não das agências de intercâmbio. Existe todo um processo de seleção e preparação das famílias, portanto, somente aquelas que se adequam às exigências elencadas pelas escolas (limpeza, cordialidade, conforto, perfil psicológico), estão aptas a receber os alunos.

É de suma importância lembrar que uma família não é necessariamente composta por uma mãe, um pai, dois filhos e um poodle. Contanto que a família esteja de acordo com os pré-requisitos das escolas, os estudantes podem sim ser recebidos por um casal de idosos, mães ou pais solteiros, entre outras possibilidades. Outro detalhe importante é que na maioria das vezes, as casas estão localizadas em áreas mais distantes da parte central da cidade e até mesmo das escolas.

Uma vez que o aluno decide se hospedar em casa de família, o mesmo recebe um application, que deve ser preenchido com algumas informações pessoais solicitadas. Neste application, o estudante informa se ele apresenta algum tipo de alergia, restrição ou intolerância alimentar, se faz uso de algum tipo de medicamento controlado, entre outras informações…

Geralmente a opção hospedagem em casa de família inclui duas refeições (café da manhã e jantar), quarto individual e banheiro compartilhado ou não. Cada família apresenta um estilo de vida com regras e hábitos que certamente serão diferentes dos seus. Tudo isso é explicado pelos anfitriões logo no primeiro dia. Caso haja problemas reais de convivência, o departamento de acomodação da escola deve ser notificado, desta forma, os responsáveis irão tomar as devidas providências.

A imersão cultural é fantástica e os alunos têm a oportunidade de entender como é a vida de um local na íntegra. Mas é importante ressaltar que os hosts não têm a obrigação de tratar seus intercambistas como membro da família e muito menos satisfazer certas vontades. Tenha em mente que você está alugando um quarto na casa de alguém e o bom senso sempre abre portas para um bom relacionamento.

PS: Para facilitar a aproximação entre estudantes e anfitriões, é interessante, porém não obrigatório, que os intercambistas presenteiem seus hosts com alguma lembrancinha (chaveiros, por exemplo), demonstrando assim cordialidade e gratidão. Outra dica legal, é preparar algum prato típico do Brasil… Não precisa ser nada muito incrível. Os gringos amam o nosso tradicional brigadeiro! 

RESIDÊNCIA ESTUDANTIL

As residências estudantis podem ser definidas como repúblicas ~ completamente diferentes das repúblicas universitárias conhecidas no Brasil ~ e geralmente têm parcerias com várias escolas e universidades. Apesar de ser uma opção de acomodação mais ‘descolada’, as residências são administradas como se fossem hotéis mesmo e a segurança é extremamente eficaz 24 horas por dia.

As comodidades variam muito de residência para residência, mas em geral, o estudante pode escolher entre compartilhar ou não quarto e banheiro com um ou mais intercambistas do mesmo sexo e nacionalidades diferentes. Geralmente as residências não disponibilizam nenhum tipo de alimentação, porém, oferecem serviço de quarto uma vez por semana (na maioria das vezes), cozinha, lavanderia e área de lazer compartilhadas. Além disso, as studenthouses costumam ser mais centralizadas e próximas às escolas e universidades.

Devido à interação com pessoas de vários lugares do mundo e até mesmo com nativos, a troca cultural é inevitável e além disso, o aluno também pratica o idioma local a todo momento, afinal, todos estão ali com o objetivo de aprender ou aprimorar uma língua.

PS: Brasileiros estão por todas as partes, portanto, cuidado para não ficar na zona de conforto e interagir somente com pessoas da sua nacionalidade. Permita-se conhecer outros estilos de vida.

 

Independente de qual acomodação escolher, tenha em mente que ser flexível e estar aberto a novas relações, enriquece ainda mais a experiência cultural. Abra a sua mente! QUER MAIS DICAS? NESTE POST EU SELECIONEI SEIS COISAS QUE TODO INTERCAMBISTA PRECISA SABER, CLIQUE AQUI E CONFIRA!

PS: Obrigada a queridíssima Natália Ferrari, gerente da agência de intercâmbio Intercultural em Dourados, MS, que gentilmente revisou este post antes de ser publicado. Nada melhor do que receber um help de uma expert em todos os assuntos relacionados a esse universo chamado intercâmbio, não é mesmo? 

A TERRA INTEIRA E O CÉU INFINITO

O QUE ACONTECE QUANDO UM DIÁRIO PERDIDO ENCONTRA O LEITOR CERTO?

Comprei esse livro já tem mais de um ano e ele acabou entrando para o meu estoque de coisas começadas e não terminadas. Eu comecei a leitura, mas em um determinado ponto resolvi pular umas (muitas) páginas e fui direto para o final, talvez porque naquele momento eu achasse que tinha algo mais interessante para fazer, e talvez tivesse mesmo.

Toda vez que abria o meu armário e me deparava com o livro escrito por Ruth Ozeki no meio de alguns outros que tenho, era como se eu tivesse brigado com alguém e me recusasse pedir perdão, entende? No início deste ano resolvi fazer as pazes com ‘A Terra Inteira e o Céu Infinito’ e mergulhei de uma vez por todas nas 462 páginas do livro e ocupei meu tempo de forma útil. Tive vários desapegos durante a leitura. Fiquei meio ausente das redes sociais e até mesmo da vida real, conseguindo me manter distante de alguns pensamentos. Contava os minutos para poder estar no tempo das personagens.

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A autora Ruth Ozeki é filha de mãe japonesa e pai americano, nasceu e cresceu em Connecticut, Estados Unidos e passou alguns anos estudando e trabalhando no Japão. Atualmente é escritora, cineasta e budista. Divide sua vida entre a agitada cidade de Nova York, e uma ilha na Colúmbia Britânica, no Canadá. Ruth afirma que sua adolescência deixou algumas marcas e que encontrou na escrita uma estratégia de sobrevivência. Hoje em dia ela busca na meditação uma maneira de estar atenta aos pensamentos e histórias.

 

Nao

“Oi! Meu nome é Nao e eu sou um ser-tempo. Você sabe o que é um ser-tempo? Bem, se você me der um minutinho, eu explico.”

Naoko Yasutani, Nao para os íntimos, é uma adolescente japonesa de 16 anos que cresceu totalmente inserida na cultura americana, pois seu pai era craque em programação e foi chamado para trabalhar no Vale do Silício. Nao e sua família deixaram o Japão e embarcaram para a Califórnia quando ela tinha apenas três anos de idade. Com o estouro da Bolha da Internet, a empresa onde o pai de Nao trabalhava faliu e eles foram literalmente mandados de volta para o Japão, praticamente sem dinheiro algum, pois seu pai investia grande parte do salário em ações da empresa.

Nao e sua família passaram a morar em um apartamento minúsculo no subúrbio de Tóquio e devido ao fracasso, seu pai se tornou um hikikomori (pessoa reclusa que apresenta sinais de depressão) e via o suicídio como uma saída. A única reação que a mãe de Nao teve em relação a tudo isso por um bom tempo, foi apenas sair todos os dias de casa para observar águas-vivas em um aquário da cidade. Enquanto isso, Nao sofria ijimi (bullying) de forma cruel e brutal na escola por ser aluna estrangeira e não se enquadrar nos padrões japoneses.

Nao tem uma vida solitária no Japão e se define como um ser-tempo, que apenas ocupa um espaço, mas logo vai se diplomar (como ela mesma costuma dizer). O único motivo pelo qual ainda insiste na sua vida sem sentido, é sua bisavó, Jiko, uma monja budista de 104 anos. Jiko foi engajada politicamente quando era mais nova. Teve um filho morto durante a Segunda Guerra Mundial como piloto camicase. Depois disso, resolveu se mudar para um templo no alto de uma montanha afastada da cidade e dedicou-se ao sacerdócio. No auge dos seus 104 anos, ela vive a vida sem pressa, tudo no seu tempo e por isso tem um nível de abstração inimaginável.

Certo dia, Nao e Jiko estavam na praia, então a monja pediu para que a garota lutasse contra as ondas e descontasse todo o desgosto que sentia pela sua vida. Ela foi. Quando voltou, disse: – Mas vó, eu não venci, o mar sempre irá me deter e o mesmo acontece com os surfistas quando caem de suas pranchas e ficam embaixo das ondas. A sábia velha Jiko respondeu algo mais ou menos assim: – Ganhar, perder, embaixo, em cima, uma pessoa, uma onda, uma montanha… É TUDO A MESMA COISA. (?)

Em algum momento do livro, Nao diz que não interessa o que é, contanto que você descubra algo concreto com que se ocupar enquanto vive a sua vida sem sentido, e foi exatamente isso que ela fez. Sentada em um café no centro de Tóquio, Nao decide escrever um diário e contar um pouco sobre sua vida, mas principalmente contar a história de sua bisavó. O diário de Nao é totalmente diferente do diário de uma colegial qualquer. Ela escreve diretamente para um leitor aleatório que só consegue imaginar…

 

Ruth

Do outro lado do pacífico, Ruth, uma escritora, descendente de japoneses, que passou parte de sua vida morando em Manhattan, mas atualmente mora com seu marido em uma ilhazinha remota na Colúmbia Britânica, no Canadá (alguma semelhança com a Ruth autora?), encontra uma lancheira vermelha da Hello Kitty envolvida por um plástico cheio cracas. Dentro há um livro, um caderninho escrito em francês, algumas cartas em japonês e um relógio. O Livro é de Proust, À LA RECHERCHE DU TEMPS PERDU (Em Busca do Tempo Perdido), mas o livro em si foi arrancado e substituído por páginas em branco e escrito à mão, em algum momento no tempo.

Supõe-se que tais objetos sejam partes dos destroços do terrível tsunami que abalou não somente o Japão, mas o mundo inteiro em 2011. Tudo mera suposição… Ruth é uma escritora/leitora e recebe o livro de Proust, que na realidade é um diário, no mesmo momento em que estamos lendo o livro, o que a torna alguém com quem podemos dividir especulações. Um detalhe interessante é que ao invés de ler o diário todo de uma vez, ela prefere respeitar o tempo em que foi escrito, e o lê sem pressa.

À medida que o leitor vai ficando mais íntimo de Ruth, percebe-se que ela entra em conflito com o eterno agora…

 

Ruth Ozeki escreveu uma autoficção, o que significa que os assuntos abordados no livro, de alguma forma estão relacionados com sua vida pessoal, entretanto, não é uma autobiografia, e existe sim uma diferença entre a obra e a autora.

É fantástico ver a forma como o passado e o presente de Nao se relacionam com o presente de Ruth (personagem), que na realidade já é futuro. Nao toca em Ruth e Ruth toca em Nao através do tempo. Até onde é realidade? Até onde é ficção? Onde está a vida sem sentido de Nao e as memórias vazias de Ruth? Onde podemos encontrar o tempo perdido que deu o título ao livro de Proust e ao diário de um ser-tempo?

Um ser-tempo é alguém que existe no tempo, e isso quer dizer você, e eu, e todos nós que estamos aqui, ou já estivemos, ou que um dia estarão.”

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 Eu, no meu interior, admito que mesmo antes de conhecer os personagens do livro ‘A Terra Inteira e o Céu Infinito’, sempre tive comigo um pouquinho da Nao, da Ruth, da Jiko e até mesmo do pai da Nao, afinal, todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já passou pela experiência de se sentir um fracasso. Isso é normal. Encontre uma estratégia de sobrevivência. Lembre-se também que, ganhar e perder pode não ser igual, mas também não tem diferença. É tudo a mesma coisa. Abstrai…

BOA LEITURA!

Escrito por ANDRÉIA MARTINS SIMPLICIO – Apaixonada pela escrita, por Nova York e pelo mundo. Traveler, dreamer e metida a blogger…Seja bem-vindo!!! :)

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